quinta-feira, 31 de março de 2011

O LANDUÁ














O LANDUÁ
Autor: João Maria Ludugero

Xibimba vai à pesca.
Pula de contente ao se achar
Fisgando uns piaus, uns carás
Para fazer pirão escaldado

Com farinha de mandioca.
Para dar cor à sua cara pálida,
Para poder dar sustança às pernas
Para poder o corpo aguentar.
O menino avança ao sol,
Desde cedo caleja seus pés
Na areia quente do rio Joca,

Feito lambari a saltitar fora d'água
Na peleja de saciar a fome da mulinga
Arrasta-se ao riacho raso,
Onde crédulo insiste em lançar

Seu gasto landuá velhinho
Com alguns buracos e
Uns tantos remendos.
Buliçoso na baldeação das águas,
Mergulha o menino varzeano
Em busca de algumas piabas,
Jundiás, curimatãs, aratanhas
E principalmente traíras.
Ele se afoita a ir mais fundo, astuto,
Revolvendo as águas mansas,

Abrindo-as, na esperança
De tirar do rio seu sustento,
Apanhar o peixe necessário

Para encher o galho da enfieira,
Sem carecer de abarrotar o samburá,

Mas garantir que não se escafeda tão cedo,
Não antes desse moleque ganhar o mundo.
Ganhar o mundo já sem seu landuá,
Mas sem perder a alma de arrasto,
Quando as traíras lhe dizimarem
O rudimentar instrumento de pesca,
Nos contornos desse efêmero rio
De salobras águas barrentas.

5 comentários:

Tatiana Kielberman disse...

Muito bom, João!

Um ode ao Landuá!

Beijos!!

Luísa N. disse...

Olá João!

Vim conhecer seu blog e de cara, lendo esse textopoemarealidade, fiquei sua fã. Vou agorinha clicar no seguir!
Conheça também o blog 'Multivias - A Natureza em Fotos e Variedades'. O link está no blog coletivo 'Terra, aquele abraço!'

Um grande abraço!

Fernanda disse...

Muito lindo! Como todos os poemas do Ludugero...

The Well disse...

Esse cabra entende do riscado!

Deve ter pescado muita traíra, piau e curimatã ovada, quando moleque.

Parabéns!!

Abs!

Proesas disse...

Bateu uma nostalgia de minha infância, ia pescar tomar banho de açude coisa boa não á gostei da prosa dez!
Abraço