domingo, 10 de abril de 2011

Porque Tanta Ira Sobre Os Inocentes do Realengo?


Autor: João Maria Ludugero

De súbito,
A sangue frio
Sem aviso,
O verdugo
Irado decidiu 'sim'
Pela sentença de morte.
Aos sete de abril,
Não escolheu faces.
Com a alma atormentada,
Vestido para matar, 
Infame adentrou cedo 
No jardim do amanhã.
Invadiu, apontou pra escola  
Aonde outrora estudou,
Furioso revolveu seu ódio,
Disparando cólera,
Covardemente 
Acertou em cheio
A face da inocência,
Transfigurando-a.
Tingiu de vermelho
As pétalas brancas
Das rosas meninas,
Arrancou 
Meninos lírios pela raiz.
Ferindo-os de morte,
Abalou a inocência
Daquelas crianças
Do real engenho do Realengo.
Deu cabo ao seu gesto estúpido.
Sua hedionda mente assassina
Atingiu fundo 
semblante de Deus
E deixou um profundo silêncio
Gritando em nós, por socorro.
Silêncio!
Precisamos ouvir a voz de Deus.
Que Ele nos acuda, nos valha,  
Pois 'tamos de ovários cheios 
De violência.

8 comentários:

Cláudia Costa disse...

João,

Li montes sobre essa imensa violência...
O que li aqui, de você, nos cala na alma. Encontra em nós abrigo e silêncio.

João, forte e certeiro. Silencio.

A Viajante disse...

João,

Parabéns pelo poema, falou tudo, simplesmente expressou o que muitos estão tentando por aí! O ser humano está precisando de amor, de epserança, e as pessoas só começam a enxergar a realidade do quão absurdo está o mundo quando acontecem essas barbaridades... Infelizmente!

ótimo post!

Vamos fazendo silêncio para refletir!

beijos

coisasdelouco disse...

Oi João... Oi Sil...

Façamos sim, alguns minutos de silêncio em respeito as dores causadas, vidas brutalmente interrompidas e para a necessária reflexão...

A dor exposta em poesia é triste mas bela... E de bela mais triste é!

Passando o espanto e a indignação necessária: há de haver indignação!

Gritemos! É preciso conscientização: somos elos de uma mesma rede que só se manterá harmonizada pelo amor mais sublime: Amizade!!!

beijocas-sussurradas

Fernanda disse...

Ainda perplexos, reverenciemos os que se forem. Depois levantemos as nossas cabeças e façamos do luto uma luta por um mundo menos cruel.

ROSANA VENTURA disse...

Perplexos.Depois Silencio.
É preciso seguir adiante...
Que lindo poema!bjossssssss

RosaMaria disse...

Boa noite!

Sempre ouvimos, lemos por ai o bordão "Aonde este mundo vai parar"

E é a pergunta que me fiz ao ver tamanha ignorância e falta de compaixão neste episódio tão triste.

Anjos, que tiveram suas vidas interrompidas.

Post perfeito.

Boa semana, beijos meus

Tatiana Kielberman disse...

Belo e verdadeiro poema, João!

Não podemos fechar os olhos diante dessa grande tragédia ocorrida.

Beijos!

João Ludugero disse...

Obrigado, meus caros amigos,
Realmente esta tragédia me pegou de assalto. É como se uma bala atingisse nosso coração... Fica no ar uma dor intensa, imensa dor. E nessas horas, sentimo-nos de braços atados, amarrados pela violência que brutalmente nos atinge e nos deixa uma sensação tremenda de impotência. Mas silenciar, não. A poesia aqui é um grito de socorro à vida e, de tal modo, um meio de berrar ao mundo a nossa indignação a uma das mais deploráveis das atitudes humanas, que é, sem dúvida, subtrair vidas.
É uma atitude abominável, um gesto dos mais hediondos e que precisa ser eliminado do convívio humano.