segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PRAZERES: "AVUA, BRABULETA, AVUA!", por João Maria Ludugero

Até parece que foi noutro dia
que pegamos carona
nas crinas do vento,
aprendemos a lidar, a contento,
com dor, espinho e flor.
Eu? Namorei muitas Marias
das dores, da paz, do amparo.
Mas gostar, gostar de verdade 
Gosto mesmo é da Maria dos Prazeres,
que desde a primeira vez,
já buliu com meu interior.
Cheguei a flertar tantas outras 
brinquei de médico com a dos Remédios, ó
bem que tentei escapulir da Rosinha, 
mas ela me agarranchou de um jeito
pedi socorro, arre égua!
e não é que acabei casando, 
amarrando-me mesmo com toda força,
de papel passado até o presente,
com a tal falada dos prazeres, 
a mais rodada de todas!
Acabei foi por melhor calar 
a boca de muita gente! 
Eu tive a honra de desposá-la,
sem precisar de pedir sua mão.
Ela se achegou inteira, 
emburacou casa adentro
e nunca mais saiu do meu cafundó.
Ela que me deu a graça de ser bom pai,
de alcançar a tal burrinha da felicidade.
Outro dia matutando a vida,
tangendo meus bodes, ao sossego, 
eu fiquei a espiar de longe
que belezura que é o sorriso 
da nossa filha Anita
toda vestida de chita,
borboleta
azul de plástico
pendurada no cabelo
solto ao vento, toda contente,
a tocar as flores do campo.
Ah, pai coruja que sou!
feliz de pelo na venta, de certo
a coçar as barbas de Deus,
satisfeito porque sou,
com todas as letras,
o homem mais rico que existe, sim senhor!
E assim vai ser até que o mundo acabe:
"Avua, brabuleta, avua!"

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