quarta-feira, 9 de maio de 2012

CASA DE POESIA, por João Maria Ludugero


Adentro a casa,
observo as paredes, os vãos
chego aos caibros, à cumeeira.
Algumas telhas rachadas
são fendas para ver estrelas,
fecho os olhos acordado
e tudo o que pesa se esvai.
Deixo que a noite entre
que o poema acenda lamparinas
com seu ares de azuis
a inundar a casa de luz e perfumes,
expulso dos quatro cantos a poeira,
as cinzas amontoadas nos nichos,
a poeira acumulada, as flores murchas
e então, livro-me dos fardos interiores, 
enfeito a mesa com vaso de jasmins.
E no bater de cascos incansável do tempo
ainda sonho em volta da mesa,
onde todos os credos se unem 
a repartir o pão, na beira do fogo
a entrelaçar as mãos calejadas.
Então, a casa toda se acende, 
afasta-se o breu das sombras 
e uma sintonia de luz acontece
dentro da cantiga que invade o coração
dos que ali habitam!

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