quarta-feira, 13 de junho de 2012

CURICA, por João Maria Ludugero


E lá vai o menino com seu carretel de linhas...
Ele segue desnudo a se descobrir, a se revelar
livre, leve e solto com sua pipa no ar
a conquistar o céu, desde pequeno,
a ganhar linha espaço a fora.
O menino empina a pipa, com garra,
há paz dentro da inocência de ser,
há um desapego a cumprir seu papel.
É assim quando a linha se quebra
acima de sua cabeça, o artefato ao léu
ganha as alturas, e o menino sonha,
voa junto até o brinquedo tocar o horizonte,
a brincar como se fosse papagaio ao vento...
Nenhum medo mais o assola nem o assombra,
nem mesmo a cuca pega, nem os grilos,
nenhum papa-figo o amola... que nada!
Ele volta à oficina de brincar de avoar,
E assim se refaz, num instante se consola,
num piscar de olhos constrói outro instrumento
e lá se vai na nave do contente da vida
o menino a pintar o sete dentro do quintal
com sua nova curica que o leva pra longe.

Um comentário:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Chegou, uma jardineira, para dizer o quanto a crônica me fez lembrar a meninice, apesar de não ter soltado arraia (nome cearense). Adorava, as minhas bonecas, brincar de roda, de macaca...mas, morria de inveja dos manos,com os amigos, ao vê-los com a arraia no ar. Diziam que era "coisa" de menino. Como que proibido, às meninas...

Texto lindo, deu saudades!
Um abraço,
da Lúcia