segunda-feira, 23 de julho de 2012

A CHUVA CAI, por João Maria Ludugero

A chuva cai na Várzea... 

O poema molhado 
no chão ainda respira.
Uma leva grudada ao solo vai ao Vapor
e outra almeja o riachão que a escorre
A chuva traz mais vida 
ao riacho do mel 
enquanto semeio 
palavras de amor
E o amor versado do outro lado 
do rio Joca faz o agreste verde aparecer.
A chuva cai na Várzea das Acácias 
e o poeta de braços abertos 
a exalta, encantado,
molha a face, comemora 
a esperança que ora se renova
além das quatro bocas 
que bebem do seu poema
sendo levado com elas como aquarela.
Cheia de céu, a chuva cai 
e o sol pronuncia
seus raios amarelos, 
seus elos aquecidos,
sob a terra nua a se vestir 
num porvir de flores.
Meu poema segue, 
encharcado, mas legível
e então posso lapidá-lo 
varzeanamente
como uma preciosa joia.

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