segunda-feira, 22 de outubro de 2012

DEZEMBROS EM CHEIROS E RUÍDOS, por João Maria Ludugero


Já penso em dezembro, depois de sair 
num dia de sol de verão, sem cansaço,
o que me apetece a arrumar a vida. 
Apetece-me pensar nos cajueiros 
em flor do sítio do Itapacurá, 
no carrego das mangueiras dos ariscos, 
nas pitombas  outra vez, num recomeçar teimoso 
a sentir o vapor das horas que orvalha a tarde amena
da minha terra, lá regressar só para mergulhar 
no retiro de Seu Olival, cimentar a certeza 
de que melhores dias virão.
Apetece-me regressar acolá, 
preparar as achas para acender o fogo de lenha, 
abrir as tramelas das janelas, 
calçar nada, passar sebo nas canelas 
e moleque disparar pelas capoeiras 
até chegar ao açude do Calango, 
antes do sol nele se deitar.
Em dezembro já há um gosto de cajus doces, 
amarelos e encarnados, na minha boca 
e por isso não me importo que o vapor se desprenda do riachão, 
ganhe a aragem da tarde amena, trazendo à tona os cheiros 
e ruídos da minha Várzea das Acácias.

Um comentário:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Cheiro de sertão,cheiro de doçura, cheiro de vida, vida em poesia...