segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CHORANDO AS PITANGAS, por João Maria Ludugero


Que tempo bom aquele
em que éramos moleques
e ganhávamos o mundo 
a colher o dia, a buscar frutas no Maracujá. 
Era bonito ver os arredores do sítio 
avermelhados de pitangas, 
encarnados de cajus bicados 
E o bem-te-vi cantando 
como que a anunciar o entardecer. 
Quando a prima Vera trepava 
Nas árvores para derrubar as frutas 
Eu ficava no chão de bochechas ardentes 
a subir os olhos curiosos, arregalados, 
e gostava de espiar e mirar às escâncaras 
a imagem dela de baixo para cima... 
Ela gostava de ir alto a catar os frutos 
destemida, não estava nem aí 
para alguma preocupação. 
E, às vezes, berrava: 
Estais pisando nas pitangas... 
Agora lembro com saudades 
da prima Vera a apanhar as pitangas... 
A pitanga, além da doçura da fruta, 
É uma palavra sonora, cantante e musical 
E tem tudo a ver com a gostosura, digo sem titubear, 
de dar água na boca mesmo, quando a prima Vera 
escalava a cúpula das pitangueiras... 
E eu ficava nas nuvens, de mãos cheias, 
chorando as pitangas, mas de contente!

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