quinta-feira, 8 de novembro de 2012

LINGUARUDOS, por João Maria Ludugero


Meu canto é cantar antigo
Uma rota sem paradeiro
Feito de contas perdidas 
Contido em palavras velhas. 
Atento às favas contadas 
Atiradas num telhado sem telhas 
Para que chova lá dentro 
E germinem as sementes 
Dentro da esperança nova 
Entre mentes, salas e corredores. 
Ó Gota serena! Ó Caralho! 
Há gente que não faz nada 
Vive de coçar o saco, 
Há gente que não se importa 
De adentrar na vida alheia, 
De só meter o bedelho 
Instilando o veneno, mostra os dentes 
Pelas quatro bocas adentro. 
De almas tão pequenas, 
Só reclamam, berram à porta 
Dos vivos que estão contentes. 
Ó gota serena, ó filhos da outra! 
Que mordam e bifurquem 
A própria língua 
De cobra venenosa.

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