sábado, 17 de novembro de 2012

O PERFUME QUE FICA, por João Maria Ludugero




Ora as palavras me inspiram 
Vou direto ao teu jeito de flor
À flor da pele num afago 
Viajo em teu perfume 
Aromatizado, embeveço minha alma 
E sigo incansável num evolar afoito 
A captar no ar a tua essência 
Etéreo me inteiro, recomponho os vãos, 
Antes mesmo que o frasco aberto se evapore 
Antes que o vidro, 
Mesmo vazio, perdure ou se quebre,
Passando a insistir com teus cheiros, 
Não hesito, divago 
Em tua fragrância, consentido, 
Corro dentro do cérebro extasiado, 
Quase como um sopro sobrenatural 
Feito algo assim sagrado 
Dentro do ser belo 
Como um meio sublime 
De comunicação com o divino. 
E de tal sorte, mergulho profundo 
Num voo rasante, sem fadiga
Nem receio de que tua essência exale e acabe, 
Ainda que só me reste um cheiro de jasmim, 
Procuro manter a calma, 
pois bem sei que embalagens servem 
para guardar recheios, 
Frascos guardam perfumes 
E corpos são recheados de alma!

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