segunda-feira, 19 de novembro de 2012

QUANDO É TEMPO DE MANGAS, por João Maria Ludugero

E aí eu fico só de cubar
De vontade de trepar num pé de manga
Carregado de frutos,
Quando chega o fim do ano na Várzea.
Manga verde nessa época madurando
Chega a dar água na boca 
Pelos quatro cantos,
Pelas quatro bocas adentro,
Logo espalhando folhas nos quintais, 
Expondo frutas amarelas no alto das copas
A roubar a cena, 
Caindo sob o olhar adocicado 
De quem a corteja ao léu
Ou lambuzando o chão 
De quem a apedreja ao céu.
Pássaros a bicar as polpas
E até o cão chupando manga
Matam de inveja os pobres mortais.
Apetitosas mangas-ouro ou rosa
São assim feitos peitos em riste ao mel
Atiçando os mais aguçados paladares...
E aí eu fico só de cubar, 
De soslaio, a espioná-la, 
Enquanto ficas admirando um balaio 
De mangas espadas,
Toda debruçada, 
Com garras, unhas e dentes, 
Voraz a chupá-las!

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