segunda-feira, 11 de agosto de 2014

VÁRZEA-RN EM ESPAÇO RENOMEADO DESDE AS QUATRO BOCAS, Por João Maria Ludugero

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 


 

 
 


 
 


 
 

 


 


 
 

 
 


 
 
 
 

VÁRZEA-RN EM ESPAÇO RENOMEADO DESDE AS QUATRO BOCAS,
Por João Maria Ludugero

Não só de manjar ou bater o babau
De batata-doce com coco catolé,
Ouço as tardes do Vapor,
Nos dias de antigamente.
Entre borregos, bois, mulas e jegues,
Paçocas, quebra-queixos, puxa-puxas, canjica, munguzá
Brotes, broas, soldas, macaxeiras, beijus, cocadas, tapiocas,
Sequilhos, castanha-assada, bolachas, queijo-de-coalho, raiva
Doce deleite em tábua de pirulitos, carrapichos e arrebites
Dentre um bocado de outras tantas gostosas regalias,
Sem esquecer de lembrar do cuscuz de milho Zarolho,
Sou menino novamente e, dia-após-dia, quase sempre,
Sinto saudades da seara das farofas, torresmos e feijões
Sem apagar aquele punhado de doces oriundos de uma vez
Dos mais fascinantes rebolados a cair do fundo em ‘pitéus’
Das bem apanhadas, faceiras e cândidas meninas varzeanas
Assim chamadas pelo inesquecível Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima.

Então, sei que renomearam as ruas da Várzea das Acácias,
Disseram adeus à rua da Pedra de dona Rosa de Antonio Ventinha,
Pelas quatro bocas ainda se alastra a tarde amena que me nina
E São Pedro acorda, desde o topo, de sentinela, entre
As duas palmeiras imperiais sob o riso de dona Nice
De Seu Geraldo ‘Bita Mulato’, Zé Dudu, Seu Nezinho,
Dona Nita de Pedro Zabé e tantas outras Marias de Franco,
Zilda Roriz de Oliveira, Santina de Ocino, Oneide Maurício
De Queiroz, Suzéu, Carmozina e da rezadeira Dalila Maria
da Conceição, minha estimada e inesquecível avó paterna
Que nunca largou seu brilhante Terço de contas azuis
Entre outras pessoas que estão mortas, mas sempre vivas
E recordadas, bem sobreviventes no coração da gente…

E os pés do poeta João Maria Ludugero se vão
Além da rua Grande, após a rua da Matança ou
Além da rua Nova, antes do Estádio de futebol
João Aureliano de Lima, de onde se observa
A contento assim, sem inflame,
Que São Pedro Apóstolo,
Padroeiro da Várzea das Acácias,
De sentinela no topo da igreja-matriz,
Não deu as costas para a rua do Arame.
O tempo não conta mais, assim o coração
Já se partiu dentro de mim, em coivaras.

Nesse nicho de ávidas lembranças em relicário,
Resguardado pela memória que não seca,
Minha vida astuta se reinicia dentro e alto,
Sem medo da cuca maluca me pegar,
Eu passo a assanhar até os pelos da venta,
No sentido de recomeçar minha história em poesia
De um terno menino varzeano levado da breca…

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