sábado, 6 de setembro de 2014

PELAS TRILHAS VARZEANAS, por João Maria Ludugero


 
 
PELAS TRILHAS VARZEANAS,
por João Maria Ludugero

A nossa Várzea é uma seara de verdejantes juazeiros, provavelmente, não se esquece de lembrar desse refúgio do interior colorido aquele que ora mora longe do agreste verde… Lá está nossa Várzea, hoje vista pelo mundo, a correr dentro e alto. Ela continua com as suas cores, do alvorecer até o lusco-ofuscado laranja da tarde amena que me nina…

O lugar tem cores que se acham quase todas a partir das quatro bocas da lida. Se a Várzea fosse cega desfrutaria dos cinco sentidos. Olfato, tato, audição, paladar, visão. Se eu fosse cego…cheiraria o mais intenso dos perfumes, sentiria o gosto da água, tocava a mais leve das penas e ouviria a mais breve melodia do tô-fraco dos guinés à cantiga daquele pássaro ao amanhecer do dia.

Se a Várzea das Acácias não fosse meu pedacinho de chão, eu não passaria de um esbaforido pardal ou de um sanhaço só pelas rotas do Retiro de Olival, mas eu sou aquele menino João maduro levado da breca, um bem-te-vizinho astuto e canoro a singrar além do paredão do açude do Calango, esforçando-me para sentir, para ouvir, para conhecer, para não se perder pelos meandros do chão-de-dentro, da Forma aos potáveis Ariscos, elevando-me dos Seixos à Lagoa Comprida, do Gado Bravo ao Itapacurá de Tio João Pequeno…

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