sábado, 18 de outubro de 2014

O DOM DA POESIA, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O DOM DA POESIA,
por João Maria Ludugero


E a poesia, quando vem, estoura...
E sai assim feito canção de dentro
e que passa o dia inteiro zoando.
É que ela já estava me ninando há dias
ou quebra o pote da alegria.
De repente,
antes mesmo de ganhar o mundo.
A poesia, quando vem à cabeça,
já está feita no nicho do peito,
quer sair afoita, apressadinha,
só para ter seu papel na lida,
sem se furtar às cores animadas
nem às tintas que o sol inventa
ao desenhar o presente de dádivas.
Tem horas em que o poema cochila,
descansa, se resguarda num escaninho
da alma, mas acaba por destravar as celas,
um pouco atrasado, mas sempre chega indomável
e dita a palavra de esteio, senha consentida.
E assim, a tarde se deita mais bonita,
se banha de lua e de prata, contente se encanta
ao relento da noite que descamba em estrelas.

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