domingo, 16 de novembro de 2014

VERDADE, A PARTIR DA ILUSÃO, por João Maria Ludugero

 
 VERDADE, A PARTIR DA ILUSÃO,
por João Maria Ludugero


Não só de manjar na lida,
Em vias de tornar-se poesia,
O que realmente experenciamos
Na alma como verdade já se esvai, a correr dentro e alto;
Ainda não fenece completamente no engenhoso contexto,
Mas já se escapole numa leira de palavras consentidas...
Portanto, ademais, a verdade consiste da ilusão advinda
Em que ficamos cônscios de que, profundamente, sem desvario,
Com cada frase em lavra tendemos a nos afastar da verdade,
Mas, sem se esbaforir, pegamos novas bermas com todo afinco,
E, sem medo da cuca, mesmo que se de coração partido,
A gente tentar reabrir as cancelas,
Sem receio de vir a assanhar

Até mesmo os pelos da venta!

BEM-TE-KIRO EM FOLHAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
BEM-TE-KIRO EM FOLHAS,
por João Maria Ludugero

Desde longe, a correr dentro e alto,
Eu observo a faceira menina da cantiga.
Bem olho para Kiro, mas olho para o interior!
Tu mesma, por imergires nas fontes da ávida lida,
Deves conquistar o que te faz menina-moça-mulher atenta,
Tornando-te sobremaneira uma musa que me nina assim tão bela,
Disposta, de sentinela espairecida, pela bonita seara de Nova Canaã.

SÉRIE: UM CAÇUÁ DE SAUDADES (TOTAL: 3.554 POEMAS ESCRITOS ATÉ ESTA DATA) - O MEDONHO MENINO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
  
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÉRIE: UM CAÇUÁ DE SAUDADES 
(TOTAL: 3.554 POEMAS ESCRITOS ATÉ ESTA DATA)
 - O MEDONHO MENINO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS,

por João Maria Ludugero

Eu só quero 
O cheiro das manipueiras, das farinhadas
Dos Ariscos ou dos Seixos de dona Santina,
O aroma dos beijus, dos grudes de coco,
Um singelo babau de batata-doce e macaxeiras
Com uma caneca-de- ágata de café em coador de pano,
Alguns ovos estrelados na manteiga-de-garrafa, 
Um bocado de tapiocas na folha de bananeira
Lá da casa de farinha do Vapor de Zuquinha...
Quero jogar uma pelada lá na beira da Vargem,
Andar descalço a caminho do açude do Calango
De água verde-musgo nas terras de Ré da Viúva.
Eu quero mais que a cantiga dos galos-de-campina 
DO sítio de Zé Canindé, Ou o mormaço de volta 
Pelos caminhos dos lajedos e vertentes do interior:
Solavancar-me a correr pelo chão-de-dentro do Riacho do Mel,
Até me achar no Maracujá varzeano ou no Umbu dos Quilaras
Ou ainda no Itapacurá de Tio João Pequeno e de dona Julieta Alves.