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terça-feira, 12 de julho de 2011

Tudo bem

Por: Marília Félix


E eu já não tenho dedos para contar...
O tanto de quedas que caí
Todos os bosques que me perdi
E às vezes que pensei em desistir!

Foram tantos quadros-negros que surgiram...
Na maioria das vezes, todos sem motivos!
As desilusões já são de praxe
Mas tudo bem, na vida quase sempre falta uma metade.

Hoje tento fechar os olhos
E não lembrar certas coisas que sobrevêm
Mas percebo a necessidade de olhar além.

Deparar com sentimentos que você não quer sentir
Ou talvez um delírio qualquer
Tanto faz...
Seu coração sempre vai querer mais!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tempestuosa



Por: Cláudia Costa

Na ventania da noite
Dei-me conta
- À montaria -
Erguendo-me na força de suas pernas
Matando a sede de uma espera
Tomando-me forte nas ancas encaixadas 

Unimo-nos
Em boca, língua, saliva e crina.
- Cavalgada, selvageria - 

Emoções aos gritos
Prazer em crua poesia
Fiz-me vento a conduzir o trote
Ele, a galope,
Segurava as rédeas
E eu, 
As rimas...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Estas minhas Manias.....

Por: SIl Villas-Boas 




Ah, estas minhas manias.....


De descobrir com você o que não se revela
De escutar tuas palavras que só riem
De querer e não querer o que tu queres
De mim.....


De dividir contigo passeios na grama molhada de chuva
De me sentar na areia e gastar horas em companhia do mar
De ficar em mim, em ti, em nós


Ah, estas minhas manias....
De experimentar cores diversas, inclusive as suas
De observar sua alma travessa e inquieta
A contar estrelas e se enamorar da lua.


Gostar do teu gosto infinito por vida
Sentir teu corpo, tua essência, 
Teu ritmo e versos tatuados
Na pele, suave e suada
Também são minhas manias    


Mas.....

Antes que estas manias se percam por aí.
Em alguma estrada, em alguma rua vazia de emoção
Antes que se transformem em versos mornos e sem sabor.
Decidi de uma vez e sem volta,
Desfazer-me de minhas manias.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

TUA POESIA

Por: Sil Villas-Boas




Pousei em mim tua poesia
Poesia que me acende inteira
Poesia que me faz voar
Leve, solta e livre ao vento

Poesia que me toca e me faz respirar
Teus sabores
Teu hálito agridoce
Teu beijo que arrepia
A tua boca na minha 
É Poesia

O calor do teu abraço
Acelera meus pensamentos
Perco todos os sentidos
A razão, a lógica, a lucidez

Nos teus versos desconexos
Faço-me (in)quieta
Insana felina
A arranhar tua  pele
A acarinhar tuas feridas
Tua Poesia atiça minha timidez.

domingo, 22 de maio de 2011

Chegou o Sol


Por: Sil Villas-Bôas

E hoje o sol chegou.
Depois dos dias chuvosos ocorridos, 
a fazer tarde e noite entristecidas e sem cores.
Sol que chega e clareia cada pedacinho dos recantos ensombreados pela falta dos sons da vida.

Rei Sol chegou
Veio para transformar lágrimas em risos,
Mágoas em sabedoria,
Prosa em Poesia.
Veio para apagar imagens antigas 
Das lembranças desprovidas de sentidos.

Sol ilumina (dor)
Sol fascina (ação)
Sol a nascer no (a)mar
E ficar no coração.

domingo, 15 de maio de 2011

ALMA

nua
“Não te amo com os olhos que te percebem mil defeitos, mas com o coração que, apesar do que vê, adora se apaixonar” .

William Shakespeare



Por: Sil Villas-Boas

Já conheces os meus defeitos. E eu os teus.
Mas hoje quero te revelar o outro lado de minha alma.
Alma que traz diversos perfumes, (a) colhidos em você.
O perfume das rosas despetaladas.
A essência do teu Eu, sem máscaras.
O suave aroma do desejo. Em nós
O cheiro quente de pele em brasas.
«»
Alma que se emana com a tua.
Alma que te chama, te envolve,
te aquece nos leves lençóis,
suave, nua.
Alma minha,
que a ti pertence
Em cada espaço da cama
Em cada esquina ou rua
Em cada infinito respirar….
breve.

domingo, 1 de maio de 2011

L E I A - M E

Por: Sil Villas-Boas

   Venha me ler

Posso?

Pode sim.....

Quer?

Sim

Abra-se para mim

Diga o que sentes, o que gosta

Deixe-me abrir com minhas mãos o teu livro.

E eu queria era ler os teus medos...

Soprar teus anseios...

Te liberar

Mas tenho muito medo...

De te arranhar a alma, 

E você sentir dor....


Leve é a mente de quem ama...
Ou se deixa amar.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sete chaves

Por: @_thewell .




Tranquei minha vida em um quarto 
qualquer.
Em um tempo 
qualquer.
Ficaram retidas as lembranças
da vida.
Os sonhos de criança,
a namorada querida.
Os amigos, os brinquedos, a escola.
As corridas e o jogo de bola.
Coisa engraçada e coisa ousada.
A saia da menina.
A cintura fina.
O beijo primevo, a transa desastrada.

Ficou aprisionado o que eu seria,
se um dia crescesse.

Cresci!
Perdi todas as chaves desse quarto.
Eram sete.
E as perdi!

Mas a do outro quarto,
o da dúvida, dor e desilusão,
essa não perdi.

Era uma só.
E a tenho aqui comigo.
Acorrentada a meus pesadelos!


(The Well)

sábado, 23 de abril de 2011

O Jardim das Onze-horas

Autor: João Maria Ludugero


Momentos há na vida que a gente nunca esquece,
Mormente aqueles bem guardados no interior.
Recordo-me do sítio de seu Zé Canindé,
Onde ele tinha uma casinha caiada
De portas e janelas azuis,
Um jardim de girassóis a onze-horas,
Um curral e uma casa de farinha de mandioca.
Parece besteira lembrar dessas rusticidades.
Podendo até, para alguns, isso soar piegas,
Mas ainda guardo comigo o privilégio
De tê-las vivido, e ora poder ter o prazer
De acentuá-las ao escrevinhar esta poesia
Assim tão repleta dessas coisas simples 
E suas pobrezinhas essenciais
A recender os aromas da terra
Junto ao canto do curió nos galhos em flor.
Assim, saudoso, reinvento meus passos,
Sob o escaldante sol da minha Várzea, 
Como quem evapora de mansinho seus longes
Junto aos cheiros da casa-de-farinha
Pelos confins da estradinha de chão,
Que só era cortada pelo rio Salgado,
Riacho de águas tão mornas,
Cheinho de piabas e jacundás.
E lá íamos eu e minha avó Dalila
Que me levava à travessia do rio,
Muitas vezes montado em pêlo no lombo de um jegue.
E, como num toque de mágica, num piscar de olhos,
Aparecia um magote de moleques.
E o banho de costume logo se transformava numa festa,
Onde a gente lavava a alma, digo a potra. Arre égua!
E era assim sempre que buscávamos os bisacos de farinha
De mandioca, beijus, tapiocas e batata-doce.
E, de tal sorte, toda vez que escuto esses cheiros e ruídos,
Eu me ajeito num cantinho a ruminar, e matuto, sim,
Me apanho a escrever sem me 'pre-ocupar' com as rimas.
Sinto-me tal qual aquele menino travesso de outrora, 
Empolgado que só vendo, a contemplar o jeito de mato
Da minha acanhada prima Vera, afilhada do velho Zé Canindé
(Cá pra nós, mas lá todo mundo era primo da gente,
Alegava meu pai, mesmo que não houvesse laços.
E ficava por isso o vínculo, o parentesco,
mesmo sem nunca ter sido). 
E agora, confesso aqui com todas as possíveis letras,  
Que me sinto o mais rico dos homens,
Porque ainda posso escutar o curió
E outros passarinhos a cantar e, até me atrevo, 
A sentir, e sinto, um exalar de manjeronas e alecrim,
Ao colocar um pé naquele tempo fantástico,
Ainda encantado a tocar minha mão buliçosa
No corpo daquela moça de sorriso maroto,
Que me enlevava na colheita dos ovos.
E como era bom brincar com as galinhas!
Ora, ora, não há como dizer com palavras
Como havia doçura no semblante daquela donzela.
Como eu queria seus braços, seu jeito, sua boca.
Como não posso voltar ao passado, insisto,  
Em deixar a saudade falar nos meus versos. E ponto.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vidas secas

Por: @_thewell .



a vida completa seu ciclo
as flores se destacam
passageiras
as folhas caem
fertilizando
o solo
revelando
a face verdadeira das árvores
desmascarando
a persona
exibindo
a nudez
revelando
a insensatez
um futuro que não foi
e mesmo assim se renova.
 
The Well




segunda-feira, 18 de abril de 2011

João e Maria

   Por: SIl Villas-Boas 

O que restará das sensações
que nunca poderão ser experimentadas?

Ele e Ela

Ele, Perdido

Ela, sem se achar

Acharam-se...


Ele, Arredio

Ela, Contente
  
Ela, em Festa

Ele, Ausente

Chocaram-se...

   
Ela, Tempestade
   
Ela, Saudade
   
Ele, cansaço
  
Ele, mormaço

Calaram-se...

  
Ele, Emudecer
     
Ela, Tristeza

Ele, Frieza

Ela, Querer

Ilharam-se...

   
Ele, Anoitecido
  
Ela, Sem Sol no Olhar

Ela e não Ele

Ela sem Ele sem Ela

Perderam-se...   

sábado, 16 de abril de 2011

Num Pau-de-Sebo Escorrega Muita Gente...

Autor: João Maria Ludugero

Na frente da igreja-matriz
De São Pedro apóstolo
Lá na minha Várzea
Foi montado um pau-de-sebo.
Lá está ele possante, majestoso, 
Liso a brilhar sob o sol radiante.
Quase todo mundo, solteiro, casado,
Amasiado, amigado, mancebado
Quer nele trepar, provar fôlego,
Não só pra ter mão da grana, do prêmio
Chamariz afixado bem lá nas alturas,
Mas pra chegar, se mostrar valente
Bem no topo do pau ensebado.
Até Maria Pereira está afoita em participar,
Mas cheia de pudores, acanhada que só vendo,
Tem vergonha de não dar conta do recado
E escorregar a meio pau. Que vexame!
Seria muita pagação de mico,
Depois virar motivo de chacota,
Ficar falada às quatro bocas da rua grande
Ou ganhar o apelido de Maria mole,
Por não ter conseguido seu intento.
Sem contar que nunca nenhuma mulher
Se sujeitou sequer tentar a subida em público
No lustroso pau-de-sebo da quermesse.
Ela seria a primeira dama à altura do pau.
Maria matutou, matutou. E não mais titubeou.
Justo ela  que sempre foi pau pra toda obra.
Se inscreveu, entrou na fila
Pra encarar o engraxado pau da hora.
Maria é doida varrida, não é boa da bola.
Vai cair de boca no sebo, ficar toda molhada
De suor, escorrer no pau, se esborrachar toda no chão.
Vozes estridentes gritam, em uníssono: 
Sai daí, Maria-homem, sua louca,
Vai procurar uma lavagem de roupa
Ou raspar uma quenga de cocada,
Ou rezar a ladainha lá com as outras.
Não vês que isso é obra de macho?
Maria faz vista grossa e ouvidos moucos
E vai à luta, fazendo de conta que não é com ela.
Marmanjo nenhum, mesmo polvilhado de talco
E quilos de araruta, consegue passar do meio mastro
(Ser bom de bolas não é tudo).
E chega a vez da Maria, que não foi com as outras.
Ela, esperta, logo se lembra de que há muito tinha a manha
De trepar em pé de pau (aprendeu cedo na lida
Quando apanhava frutas no quintal).
E que, para viabilizar a subida, não usava peias
Nem aqueloutros apetrechos pra subir em pés de coco.
Ela usava sim o visgo da jaca. Acredite, não estou inventando. 
E subia embalada até nos mais lodosos lenhos.
Não deu outra, caladinha assim procedeu.
Subiu o madeiro numa única levada. Virgem santa!
Maria não brecou, num jogo de corpo e tronco
Galgou seu medo de escapulir. Na marra,
Segurou o pau com toda força, destemida, a pique
Agarrou-se na estaca e... Venceu. Mais pau que fosse!
Mesmo incrédulo, o povo ridente aplaudiu à beça,
Quando ela feliz atingiu o seu cume, chorando de alegria
Pela vitória que calou a boca de muita gente,
Que só sabe covardemente meter o pau, gastar saliva,
Feito lesma a se arrastar pelos muros alheios, e morrer seca,
Que já nasce fadada ao fracasso e morre na beira.
Valeu, Maria! O mérito é todo seu. Soubeste mostrar
Que nem todo pau-de-sebo é coisa de cabra macho.
Que venham outros paus, outros sebos, outros páreos.
Tudo pode virar toquinho nas mãos dessa mulher.
Maria Pereira da Silva não está nem aí pro menoscabo
Nem pro seu mais novo sobrenome, nova alcunha. 
Até se orgulha do codinome:
Maria Machadão!

Minhas Flores desabrochadas

Visitantes do meu Jardim

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