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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Labirintos e Divagações


Há tempos em que as ruas da vida
Parecem labirintos indecifráveis
Nos quais ando sem rumo
Traçando estratégias disfarçadas
Para uma saída que talvez nem exista.

Perdida num mundo particular
Onde a distração vira alento
Alimento pra alma vazia

Envolta nas brumas do pensamento
Enevoada em dúvidas
Mergulhada em desalento
Ostento ainda a pose
Essa, minha,
Que lembra sempre vagamente
A rainha que fui um dia.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Escuros da Ribalta

                                    Autor: Cláudia Costa

Quando cai o pano
Alguns de nós, humanos
Ficamos perdidos
Numa espécie de limbo
Numa certa solidão cortante.

Sem os holofotes do espetáculo
O forte, fica fraco
O palhaço chora suas dores
O risonho fica sério.

É quase um mistério
Esse, da vida que alegra
Agita
Finge...
Se apega.

E termina
Todo dia
Quando as luzes
Escurecem
E o pano se fecha.

Sem plateia, o espetáculo perde o sentido

- Será ? -

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Intensa - Cláudia Costa


Sangue quente nas veias,
Viro panela de pressão
Lava minha alma
Lava de vulcão
Transborda meu delírio
Vivo, fera, quente, sente

Transborda.

Gente que ferve, grita, ri, chora

Debate.

Combate.

Exorciza a falsa calma de não sentir.
Tráz mais:

Beleza

Riqueza

Sentido

Poder

Paixão!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dias de Tormenta - Cláudia Costa

                                           

Mulher de tempestade, dias cinzas, nublados
Dias de água transbordando por todos os lados
Fora e dentro.
Dias de mar caindo das nuvens
Dias de pensamentos profundos

Um sono intenso me toma
Me leva pros braços quentes do inconsciente
Um lugar onde a racionalidade não tem vez.

Tudo se refaz em tempos de águas
Essas que movimentam meus caminhos mais escuros
Minhas faltas mais escondidas
Meus desejos esquecidos.

Chove lá fora
E aqui...
Tá tão escuro...

A saudade que esfria tudo
É a mesma que ainda me aquece o dia.
Tudo regado a palavra não dita
Que distancia

Por hoje, as águas invadem meu mundo
Transbordam em meus olhos
Lavam meus espaços
Esvaziam...

Por hoje as tempestades
De céus e mares
Movimentam desejos obscuros

Em breve, a lua muda
A tormenta passa
As nuvens voltam
A recepcionar minhas gotas

O oceano volta a dividir suas águas
As ausências amenizam seus espaços
E eu volto a caber em mim
Sem transbordar.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Escorpião

Denso, inquieto, intrigante
Profundo, sorrateiro
Escorregadio
Inesperado e, por vezes, surpreendente

Se aproxima com o olhar
Devagar...
É insistente quando realmente quer algo (alguém)
Olha nos olhos
Dentro deles, como quem enxerga além
Observa sua presa, antevê seus movimentos
Se aproxima
Lenta e vigorosamente
Se apossa

Toma espaços

Poderoso, forte
Esconde bem seus medos
Na esperança de perdê-los
Não se mostra
Não se dá
Mas ele toma, ah... ele toma!

Escorpião traz em si um veneno
Desses que a gente se vicia em beber mais
Tem essa energia que transmuta
Muda tudo, cala, fere no silêncio
Arrebata na fala

Sedutor e perigoso
Visceral
Amante intenso
Amor em silêncio

Escorpião é desafio
Pode ser que passe sem machucar
Pode ser que nem arranhe o coração

Pode ser que não.

Escorpião é prazer desmedido
Algo escondido...
Escorpião é algo que queima.

Há algo de escorpião em mim
Profundo, calmo, desconfiado
E pronto pro ataque.

Há um escorpião em mim...


terça-feira, 1 de novembro de 2011

ANDARILHA - Cláudia Costa



A mulher que em mim habita
Habituou-se a ser ilha
Sem outros habitantes
Recebendo eventuais (e poucos) visitantes

Esta mulher que me habita
Guarda em mim também,
Menina.
Travessa, linda, solta
Vadia

Mulher e menina
Encontram-se na vida
Transformam certezas
Transbordam emoções

Menina e mulher
Vadias, livres, donas de si
Vivem juntas suas alegrias
De mãos dadas, saltos altos
Sentem medos e dão risada
Gargalhadas.

Trabalham
Viajam
Brincam
Vivem
Surpreendem-se!

A mulher já não é ilha
A menina já não tem medo.

Seguem juntas
De mãos dadas
Andarilhas curiosas
Nessa aventura sem fim
Que chamam

VIDA.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O AMOR que Desejo - Cláudia Costa


Quero um amor pra partilhar alegria.
Pra andar abraçada, de mão dada, pra sentir a pele quando estiver perto.
Quero um amor pra dar gargalhada, pra me aninhar no peito,
Pra me ler no olhar...
Quero um amor pra eu cuidar
E que também me cuide bem
Que saiba ser forte, inteiro
E que seja menino também.
Que em dias difíceis,
Saiba encostar no meu peito e se abrigar.
Quero um amor que eu possa secar as lágrimas, se aparecerem
Um amor de serenidade
De cúmplice realidade
E de tempestades
Pro dia raiar em paz.
Quero um amor de cama, de mesa, de vida
Quero um amor que seja imperfeito
Mas que adore me beijar.
Quero um amor
Que se deixe acarinhar
Que brinque quando eu menos esperar.
Um amor
Que ame abraçar, independente do lugar
Quero um amor
Que me deseje, que me olhe com brilho no olhar.
Ah...eu só quero, afinal...
Um amor
Pra amar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Só por Hoje - Cláudia Costa


Só por hoje,
  Desisti de ser "normal"
Cansei de ser legal com gente feia de alma
Cansei da hipocrisia pesada
De joguetes
De montes de coisas, que não me dizem nada.

Só por hoje
Acordei mansa
Vesti meu vestido mais leve e bonito
Acendi incenso
Conversei com o Divino
Me conectei com o espiritual
E bebi chá ao invés de vinho.

Só por hoje
Curti sem medo a presença do homem que amo
Me deixei levar pelo seu prazer
Me perdi em nossas intensas trocas
E chorei como criança
Por tudo quanto venho contendo.

Por hoje,
Transbordei de emoção
Na frente do outro.

Só por hoje,
Escrevi textos
Repensei laços afetivos
Cuidei dos livros
Reguei minha alma
Ouvi músicas clássicas
Plantei um jardim.

Só por hoje
Me perdi em pensamentos
Andei a esmo pelas ruas
Falei com estranhos
Agi por impulso
Superei meus medos
Me rendi as minhas ansiedades.

Só por hoje
Disse EU TE AMO
Sem medo
E sem ânsia de ouvir o mesmo

Só por hoje
Fiz de mim
Um segredo revelado.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Desejos e Posses - Por Cláudia Costa


Ando escrava dos sentidos
Das lembranças
Dos gemidos.

Pensamentos constantes
Desejos errantes
Devastadores

Ando escrava da palavra
Do abraço
Do apego
Do teu cheiro
Da presença
Da vontade

Do delírio
Da entrega

Ando escrava
Escrachada,
Dada.
Tua.

Ando possessiva
Possuída
Ansiosa

Pelo toque
Pela boca
Pelo beijo
Pelo sexo.
Pelo eleito.

Ando assim, distraída
Devassada
Acompanhada pelo desejo
Daquele que como MEU
Elejo

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Divina Arte de Ser...


Inteira
Abandonada do mundo
Jogada em teus braços
Envoltos apertados
Em meu corpo.

Sua
Tanto quanto sou minha
E as vezes, um pouco mais
Um tanto mais
Quase mais sua que minha
Inteirinha
Na madrugada insone
Com fantasmas de visita
É no teu peito que me aconchego
E, tola, insisto em esquecer meus medos

Instinto de preservação me grita
PERIGO
Mas daí, te olho,
E vejo tão lindo...

Os olhos que brilham mais
Quando me aproximo
O sorriso disfarçado
Quando me deixo ficar
Solta do teu lado...
Entregue.

Digo silenciosa
Aos meus fantasmas:
-Saiam -
Hoje, quero ter dono
Hoje, não lhes darei ouvidos
Hoje, tenho aqui, esse homem
Que não sei se é meu
E nem tanto me importa
Porque hoje, ele está aqui
Inteiro, entregue,
Meu!

Hoje, trocamos pronomes de posse
Intensidades sem disfarce
Provocações aos montes.

Aos meus fantasmas,
Esses, que me acompanham na solidão construída
Na fingida segurança de existir poderosa
Senhora de mim e quase intocável emocionalmente
Sorrio gentilmente,
Agradeço a companhia
E peço:
- Retirem-se -

Por hoje,
Me dei de presente
Pra essa vida, pra esse cenário
Pra essa gente
- De carne e osso -
Que de fato não sei dizer
Quanto tempo existirá
Mas me regozijo ao ver
Que está, aqui, do lado
Com tudo de mundano

Pode ser que não fiquem pra sempre
Mas existirão inteiros
Na lembrança.
Porque hoje são intensos.

Convenhamos,
A intensidade sabe ser inesquecível.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Prazer - Por Cláudia Costa


Nos olhos, ao conhecer
Aquele corpo
Cujo pensamento
Já conhecia a tempos.

No olfato, no ato
De sentir seu cheiro
Suave e desejado

No tato, seguido
Do abraço
Inteiro, envolvido,
Querido, doado.

No paladar,
Ao encostar na boca linda
Com a qual sonhava
E tanto queria minha.

Na alma eufórica,
Apaixonada
Entregue. 

“Tudo que eu sabia é que te queria e eu, conseguia imaginando...”


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SamPaixão


Por: Cláudia Costa


Parecia apenas uma cidade
Com suas imensas concretudes
Sua correria intensa
Suas gentes distribuídas

Parecia uma mistura
De imagens, de culturas,
Abordagens.

Mas Sampa trazia consigo
Uma imensa solidão
Concreta no cinza

Surpresas escondidas
Em suas esquinas
Parques, verdes, vias

Amores!

Sampa, volta e meia
Me surpreendia
Com seus imensos desafetos
Com uma certa crueldade
Com uma maldade disfarçada

Nostalgia, melancolia

E um oceano de alegrias reveladas!
Longe ou perto
Sampa sempre me traz saudades
Me arrebata o coração
Me invade com sua vivacidade

São Paulo sempre me convida
A uma nova Paixão!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Entre ruínas e retornos

Por: Cláudia Costa


As vezes nosso mundo despenca
Se desfaz completamente
E a gente
Enlouquece, entristece, adoece

Daí vem a vida
Essa insana travessa
Sai colocando a nossa volta
Pequenas coisas imensas
Em outras formas.

Quando finalmente
A gente consegue
Olhar novamente pros lados
Não entende nada...

O mundo ruiu,
Quebrou
E se transformou 
Nesse desconhecido
Onde você não se sente inserido
Não se reconhece.

Esquece!

Deixa de lado o passado
E abraça
Esse gigante inusitado
Que te espera.

Acredite...

É a sua melhor oferta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Realidade ou Ilusão Virtual

Por: Cláudia Costa


Quando penso em você, o sorriso me visita imediato
Feliz e largo, cativo da tua existência em mim.
É o prazer, esse sobrenome que baixou aqui
Desde que nos esbarramos entre linhas e palavras perdidas
E resolvemos nos encontrar.
Para nossa surpresa total, combinamos
No olhar, nos divertimos juntos com nossas estradas
Reservas, histórias, bobagens e medos
Nos admiramos nas afinidades inesperadas,
Crescentes, elásticas, singulares...
Percebemo-nos na sedução velada
Recuamos juntos ao notar, do nada,
O quanto estávamos envolvidos.
Próximos...perigosamente próximos,
Apesar da distância imensa que nos limita
Voltamos devagar, rendendo-nos ao riso, a doçura, a vontade
A saudade!
Fizemo-nos mais juntos, amigos, queridos,
Insinuávamo-nos amantes...
Cautelosa e suavemente...
Para não queimar etapas.
Sem perceber te fiz rei do meu mundo
Senhor nos meus sonhos 
Homem preferido.
Sem perceber, te tirei da ilusão virtual
E te enchi de honras 
Na minha mais concreta realidade

Minhas Flores desabrochadas

Visitantes do meu Jardim

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