quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

E o Palhaço Chora


Chora-lhe a alma enquanto os olhos riem
É assim o palhaço original
Vertendo da existência o pior mal
No âmago de si, sem outros o sentirem
E na dor mergulhado finge ser
Da hilaridade o seu senhor
Mas fica-lhe a tristeza por penhor
Vergando-lhe ao desgosto o padecer
Na pobreza das vestes é grotesco
Desfigurada a face à alquimia
Que lhe acentua o esgar quase dantesco
Querendo tornar veraz a alegria
Mas se o cobre riqueza bijuteria
E a alvura lhe manda na aparência
Quase aflora a demência tal bobeira
Perante a contradição da evidência

Por: Eugênio de Sá
Colaboração: Silvério Reis