segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PÉ DE ACEROLA, por João Maria Ludugero


PÉ DE ACEROLA,
por João Maria Ludugero

O sol em avanço queima a pele
A esfolar o verde pé de acerola
Vejo agonia nos teus olhos marejados
Feito alguém que pede parca esmola 
E o desânimo do rosto fica a pigorar
Dentro e alto, num sopro esbaforido, 
Uma rajada de amor tecido em gris
Aos dispostos solavancos da lida...

Na sombra do pé de acerola
A alma carece de brisa calma 
Esperando alguém que consola
E o fruto da acerola em êxtase
Lateja em suores de ácida dor imposta 
Suavizando o vertente calor em tempero 
No ar que descolore e encarna um adeus!

UM LUDUGERO PRA LÁ DE ARTEIRO, por João Maria Ludugero

UM LUDUGERO PRA LÁ DE ARTEIRO,

por João Maria Ludugero

O poeta inventa, cria, 
copia a lida... se reinventa
em versos singelos, livres.
O poeta faz cantiga
Canta a sina 
e o universo.
O poeta emociona!
Emociona com o sentir
ao leitor desconhecido.
O poeta se encanta, e vai longe
encantado a tanger com alegria
o gado nunca esquecido,
nem que seja nos fiapos das nuvens
O poeta almeja
viver sua utopia
no reino de sua Várzea.
O poeta deseja, de fato,
dia e noite, noite e dia
serenidade e paz, a partir da sua janela.
O poeta copia a vida... recria, voa
em sonhos de varzeanidade
em seus motes rabiscados.
O poeta verseja dia-após-dia
até que avança a idade,
mas nunca finda calado,
nem quando sai de cena

e o palco lhe faz plágio.