segunda-feira, 24 de junho de 2013

A VÁRZEA NOSSA DE TODOS OS DIAS, por João Maria Ludugero.

A Várzea não mente,
Pacata, calorosa, generosa. De graciosos amores.
Dona de um solo, colo, do fogo do Vapor. Da saudade.
Vida dos olhos d'água, vertente das conversas de vizinhos
pelas calçadas, nos bancos da praça do encontro 
de entusiasmados papos ou de longos silêncios.
Vida cheia das ternas cores dos arredores do Calango.
Várzea é luz de velas no altar de São Pedro Apóstolo, 
É luminosidade que afasta as sombras, 
É imensa luz fosforescente da inesquecível Mãe Claudina.
Vida dos sentimentos profundos advindos do interior dos Seixos,
Caldo de cana caiana, melado e açúcar, romance agridoce,
Várzea é vida... Vida dos cheiros, dos temperos das almas de flor.
Várzea é tapioca, é beiju de coco catulé. 
É café quente coado na hora de degustar regalias.
Várzea é sossego do sereno, da brisa do rio Joca.
A Várzea não mente, ela apenas renova esperanças.
Ela sabe ser cantiga, sabe ser o som do retiro 
de dentro da prosa e da poesia que invento.
Ela é labuta, é roçado, são pés no chão de dentro.
Ela é família da paz, é mãe dos rebentos da Fé. 
Ela é dos arteiros dos anos que nem sentem 
já que a vida não envelhece.
Ela é aquele tipo de pacata gente 
numa corrente contente que nos cabe inteiros, 
é como se ela nos chegasse pronta, ela é bonita!
Mas quando um dia a vida envelhecer nas idas e vindas , 
quem sabe ela more dentro de alguns abraços.
A Várzea que se observa presente no agora, que admira a inteligência... 
Não a esperteza. Que não aceita os enganos nem a falsidade. 
Várzea que me entende por estar longe, mas nunca distante.
Minha Várzea tem uma vida a ser percorrida na simplicidade.
A Várzea que vibra fazendo o folguedo de festa, numa vida que não mente.
Viver ali é não perder o ritmo simples, 
é pois saber demorar na vista das pessoas mais que bonitas, 
é perceber a beleza do óbvio sem esbanjar os traquejos da lida,
É saber viver o desejo, é deixar que o amor nos aprimore as tintas.
Várzea é bem se ter a vontade de se deixar levar pela janela dos olhos, 
é escutar o bater do coração pedindo coragem a todo tempo...
Várzea é engolir os dias em dádivas arriscando as graças do Amor 
[Um Amor bem rebuscado em leito de longas jornadas].
Viver em Várzea também é gostar desse recanto de sossego
que se alastra no peito ao descanso num batente sem pressa,
que nos fica enxergando grandes a partir do riacho do Mel.
A vida não nos mente: Várzea é a nossa Várzea das Acácias!
Terra abençoada por São Pedro Apóstolo, que ali impera no topo da igreja,
de sentinela a proteger nosso bendito chão e a proteger sua gente. Amém!