quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O AMOR NOS DÁ ASAS!, por João Maria Ludugero


Vambora 
ser livres juntos? 
Só sei que 
a liberdade 
nos solta
na vida,
ainda mais
quando 
ganhamos 
o mundo, 
dentro e alto,
com a responsabilidade
de dar asas ao amor
não para nos atazanar,
mas para nos prender
em laços
desatados 
em nós!

NÁDEGAS A DECLARAR (UM POEMA À BUNDA), por João Maria Ludugero


No seco ou no molhado,
Na sala ou na avenida,
Na subida do aclive
Na descida do morro,
Na alameda dando bandeira
Quando ela requebra as cadeiras,
O mundo se bandeia de todos os lados
De frente e verso, 
Rebola à torta e à direita,
Podendo até ser feia de cara,
Mas uma bunda é uma bunda,
Tem lá sua suprema importância. 
É uma chama acesa em potência,
Que chama atenção redobrada
Que ao abundar, abunda e pronto,
Não prejudica o conjunto,
Ao causar impressão maravilhosa,
Da primeira à última vista
Nem que seja rebolando à toa,
E ainda mais se dourada pelo sol,
Abundante ao calor do bronzeado
Da cor do pecado ao deleite do dia.
E eu, cá com meus botões, na lida,
Que não sou bobo coisa nenhuma
E tenho lá meu apreço, no fundo,
Passo a contemplá-la num silêncio mudo,
Vou vendo aquilo tudo com alegria imensa.
Já desnudo de vergonha na cara,
Vou apreciando o que a bunda inteligente me dita.
E ela astuta com arte e manha rodopia,
Faceira, insinuando-me a vir vê-la.
Eu venho que venho, mas não me contenho
Ao dar de cara com a bunda, relaxo 
E meto a cara na vida, não faço fita, 
Não levo desaforos para casa,
Não vou dar o gostinho dela passar 
Em brancos versos!

UM NÓ DE RECORDAÇÃO, por João Maria Ludugero


No alpendre da minha casa
fui armar a minha rede
deixei um nó de esperança
ao cair da tarde amena,
deixei partir os meus ais
me peguei de olhos marejados
ao ver se esparramar pelo chão
um belo pé de jerimum
ou seria de melancia ou maxixe?
Lembrei-me do lar de meus pais
da minha gente de paz
do meu povo tão guerreiro,
da minha boa gente 
que o coração alcança.
E toda noite ela avança, a saudade,
com insaciável sede 
de chegar até a Várzea,
contente da vida 
a me levar em pensamento, 
atenho-me a tecer poesia
e, assim, entretido passo 
a balançar minha rede,
amarro e dou nó no peito, 
só desatado em lembranças!