terça-feira, 10 de dezembro de 2013

VARZEANIDADE: LUDUGERO NO ARRIMO DA RIMA, por João Maria Ludugero

VARZEANIDADE: LUDUGERO NO ARRIMO DA RIMA,
por João Maria Ludugero

Foi necessária a saudade de sentinela
Pra que o poeta Ludugero inteiro se partisse,
Voltando à trilha da qual nunca se afastou
Seu semblante sereno revela
Uma alma sem sombra ou sequela
De alguém que a seu chão nunca esqueceu
A varzeanidade é tal qual uma aquarela
E a seara tão sonhada em cores nos nivela,
Sem importar-se com o medo da cuca
O seu grito nos abriu porta e janela
Convocou cada um a dar sua parcela
Pra cessar todo esmorecimento e dor
De um sentimento empurrado pela goela
Saudade que maltrata e flagela
Capaz de qualquer coisa pra ter cor
Só o amor toda penumbra desmantela
Mesmo frágil como chama de uma vela
Traz toda paz e desfaz a tristeza
Sua poesia o elevou sem cancela
Sua voz não se cala, soa tão bela
E ecoará alumiando em todo alvor

LUDUGERÁVEL CHÃO DE DENTRO, por João Maria Ludugero

LUDUGERÁVEL CHÃO DE DENTRO,
por João Maria Ludugero.

A correr dentro da Várzea que me rodeia,
Ávido com um rio Joca a me banhar, 
Agradeço a Deus pela vida,
Por meu ânimo indomável
Que não me desapeia da seara
Sob as vastas garras da saudade
Eu não tremo nem me desespero
Sob os duros golpes da inconstante lida,
Meu coração sangra e continua partido!

Mas além desse lugar abençoado
Por São Pedro Apóstolo,
Jazem os medos da cuca.
Assim a ameaça dos anos, dia-após-dia,
Me encontra e me encontrará, destemido.

Não importa quão longe o meu chão
Quão repleto de nostalgia da Várzea,
Eu sou o João Ludugero na minha peleja

Eu sou um poeta a adornar minha alma.

À MENINA DOS CAJUS, por João Maria Ludugero

À MENINA DOS CAJUS,
por João Maria Ludugero.

Só de manjar, 
Os teus olhos d'água,
Marejaram longas lágrimas
Querendo te fazer feliz nos meus,

Quando entardeceram a me ninar,
Nesta leva que se envolveram ávidos. 

Bela e querida menina faceira...

Olhos alaranjados na tarde dos cajus
Trazem miragens levadas da breca,
Dentre bundas formosas que parecem me dar bola,
Assim avançando pela Várzea a dentro...
Daí, sob o retiro de muitos sóis
O teu corpo floresceu em meio 
A tantos jasmineiros em flor!

A VÁRZEA DO POETA JOÃO MARIA LUDUGERO, por João Maria Ludugero

A VÁRZEA DO POETA JOÃO MARIA LUDUGERO,
por João Maria Ludugero

À saudade imensa 
Me vou alavancando 
Enquanto me adio 
Servente de danos 
Ao estio de enganos 
Aos trancos e solavancos 
Vou avançando o habite-se 
No denso e súbito desvario 
De um destino em alvor
Que me vai sendo vasto 
Pelo chão de dentro…
Conheço a minha sorte 
Meu lugar nostálgico 
Seu acontecer disperso,
Depois de tantas luas
Depois de tantos sóis
E agora 
Que sensato porvir 
Me pelejo em vencer?
Rio num desaguar preciso
Dentro e alto alvorecido
Na embocadura do rio Joca
Na seara abençoada
Por São Pedro Apóstolo!