sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

DENTRE PERDAS E GANHOS, por João Maria Ludugero

 
DENTRE PERDAS E GANHOS,
por João Maria Ludugero.

E a vida é mesmo assim, no cubar da lida:
Com as perdas, só há um jeito: perdê-las. 
Com os ganhos, o proveito é degustar cada um 
Como uma boa fruta de propícia estação.
Aprendi com minhas perdas
Que a solidão, nem sempre é dor.
Às vezes, ela pode ser
Um ótimo remédio:
Daí é que a gente acaba se achando
No desafio do labirinto!

VÁRZEA-RN, CIDADE DA CULTURA: - LEMBRANÇAS DE UM TEMPO QUE SE FOI AO PRESENTE PASSADO A LIMPO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VÁRZEA-RN, CIDADE DA CULTURA:
- LEMBRANÇAS DE UM TEMPO QUE SE FOI
AO PRESENTE PASSADO A LIMPO,
por João Maria Ludugero

Várzea das Acácias,
De ontem e de hoje
De pessoas e nomes queridos:
Dona Onélia de Raimundo Rosa,
Dona Júlia de Seu Lula,
De Otávio Gomes e dona Marica,
De Seu Minor e dona Marina,
De Silva Florêncio e Rosilda,
Da Professora Gabriela Pontes,
De Adalberto e dona Palmira,
De Olival e dona Penha,
De Zilda Roriz de Oliveira,
De Arnor e Albanita,
De Ana Moita
De Santina de Ocino,
De Antonio Duaca
De Antonio Coelho,
De Alice de Neco Roco
De Ximbimba, de Bidu,
De Craúna
De Mãe Claudina,
De Nanuca de Palito,
De Dezilda Anacleto,
De Fátima Belo,
De Nena, Nina, Nuca
De Nezinho de dona Suli,
De Bena de Virgílio Bento,
De Picica de Cícero Paulino,
De dona Beatriz Belo,
De Maria Moroca,
De Maria Marica,
De Inês Rosa,
De Suetônio de Zidora,
De Maria Orlanda de Seu Nestor,
De Terezinha Bento,
De Conceição Dama,
De Zé Pifânio,
De Gracinha de Zé Baixinho
De dona Maria de Seu Odilon Ludugero
De Oneide Maurício de Queiroz...etc

Mas
Também
Várzea
Dos Caicos,
Dos Zecas,
Dos Jocas,
Dos Manés,
Dos Dedés,
Dos Quincas,
De dona Sinhá,
Da rezadeira Dalila, minha avó,
De Tia Joana Isabel,
De Lucila de Preta,
De Suzéu e Maria Gomes...

Várzea do Vapor de Zuquinha,
De todos as cantigas
De dona Wilma Anacleto
De Dezilda Mulato
De Seu Bita,
De Seu Tida,
De tanto calor.
Várzea de nossas vidas,
Singela e bonita seara
Do açude do Calango,
Do atraente Umbu
Do Itapacurá
De Dona Julieta Alves,
De Tio João Pequeno,
Dos cajás, dos cajus,
Do Maracujá de Melizinha
De Wandick Lopes
Do Riacho do Mel
De Pasqualino Gomes Teixeira,
Com todos os santos
Pela intermédio de São Pedro Apóstolo,
De sentinela no topo da igreja do padroeiro.
Várzea sempre enamorada
Seara bendita
De Ângelo Bezerra...

Várzea de todos os rostos,
Sabores
E gostos:
Das tapiocas,
Das macaxeiras,
Do feijão-verde,
Do queijo-de-coalho
Das coalhadas
Das favas,
Do cuscuz de milho zarolho,
Das farofas e das soldas
De dona Carmozina,
Da manteiga-de-garrafa
Das rapaduras
Dos puxa-puxas
Dos quebra-queixos
Das passarinhas
Das tripas assadas
Dos torresmos
Da mangaba,
Do jenipapo
Da pitomba,
Da goiaba,
Da manga
Do cajá
Do caju
Da jaca,
Do umbu
Do doce de leite e de coco.
Do caldo-de-cana-caiana de Biga
Ou da espremida 'curimbatória'
Da pinga da bodega de Zé Anjo
Do pitéu das regalias, brotes e bolachões
Da Padaria de Seu Nenê Plácido Tomaz de Lima.

É por esse jeito
Com essas virtudes e defeitos
É a Várzea que amamos
A ti, Várzea das Acácias,
Das muitas dores
Dos muitos lugares e tons
Dos muitos gostos,
Dos Nossos rostos
De muitas ávidas cores...
Várzea dos muitos sabores
De múltiplos valores,
De tantas cantigas
E dos muitos amores!



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ENQUANTO ISSO, VIA-LÁCTEA ABAIXO…QUEM DÁ MAIS? por João Maria Ludugero

 
ENQUANTO ISSO, VIA-LÁCTEA ABAIXO…QUEM DÁ MAIS? 
por João Maria Ludugero

O mundo está de pernas pro ar.
Patos e gansos aos sopapos se abusam.
Cisnes narcisistas deglutem sem dó
Carne de pavão em cápsulas.
Tapiocas beijuzadas em farinhas artificiais
Não têm mais cheiro de coco ralado.
Os frandes substituem a palha da bananeira.
A goma sofisticada se vira em grude na chapa de aço.
O siri ganha lustrado verniz empalhado na vitrine.
Carapaça alegre, brilhante fora do mangue,
Olhos de guaiamuns extintos, de soslaio.
Detrás do futuro desconheço meu habitat.
Perdi o jeito de andar em bando pelo interior.
De banda me arribo sem sair do cais, em transe.
Há virgens em nada complacentes, digo
Que rifam hímen em rede, auréolas em riste
Derramando silicones dos peitos vazados…
Seios de plástico, refeitos, oblongos, isto é
De bicos para quem à esquina da rua perambula.
Já li alguma coisa e tal à época em voga.
Se li, cones e picaretas na via Vogue.
Na lida por outras bermas, alertas à-toa nos muros. 
Veja-se cabotino, sem papas na língua, aos murros.
O corpo a corpo em desfile de vaidades se alonga, 
A quem interessar míngua. Virgindade, não pasmem, 
Pode virar moeda de barganha. E Caretice da maior 
É se achar incólume diante dos laços assim desatados.
Se assim dispôs do leite pela via-láctea abaixo, 
Então não reclama 
Do que a fundo é perdido 

E derramado!

VÁRZEA-RN: TANTAS E QUANTAS SAUDADES E O VAPOR DE OUTRORA, por João Maria Ludugero

 
 
 
 

VÁRZEA-RN: TANTAS E QUANTAS SAUDADES E O VAPOR DE OUTRORA,
por João Maria Ludugero

Mas que cheiro de cajá é esse, menino?
ah. que cheiro de caju é esse Pasqualino?
É tempo de pitombas, é tempo de jabuticabas….
ah, que cheiro de mato verde é esse Zuquinha?
E esse cheiro, com certeza, deve ser o aroma
que desce da casa grande do Vapor, lá do alto,
com seus gansos e pavões, suas penas coloridas,
seus jardins e arvoredos, seus açudes e riachos.
Quiçá do Itapacurá, do Arisco,
dos melões e das melancias, será?
não seria lá das bandas dos Seixos de Seu Onélio
ou das castanhas de caju assadas
lá dos Seixos de Dona Santina,
ou quiçá das bandas de João Pequeno?
Cheiro de terra molhada das bandas do matadouro, cheiro de curral.
Alegria de varzeano é plantar batata-doce às margens do rio Joca,
É fazer roça e roçado, quando começa o tempo da invernada
É faz coivaras e encoivaradas, é semear a vida
É fazer plantio de feijão, milho, algodão, jerimum e macaxeira
Alegria de varzeano é ter maxixe plantado, batata-doce e fava
lá no roçado ao largo da Fazenda do Vapor da família de Zuquinha.
Alegria de varzeano é descascar mandiocas,
É fazer farinha, farinhada, prensar mandioca-mole,
É fazer beiju, grude de goma, mas que cheiro é esse de tapioca?
Alegria de varzeano é plantar batata-doce e macaxeira
É ver a enchente do rio no tempo da invernada…mas que espetáculo!
O trovão troveja tudo, balança todo o coqueiral lá do rio da Cruz.
Relampeja até no topo da igreja de São Pedro… Valei-me, Deus!
E a gente tomava banho de chuva no meio da rua, na dança da chuva.
Choveu de madrugada, encheu o açude do Calango.
Serenou a alegria da morena varzeana. E lá tem gente bonita!
O tempo passou. o tempo bom trouxe os cheiros e os temperos
o tempo trouxe lindas morenas Marinas, marinheiras Izabelas,
traz a beleza estampada no sorriso de Iane Santina,
E a juventude de Terezas Gabrielas,
dentre tantas outras belezas,
Que trazem no sangue o cheiro da terra varzeana,
O cheirinho de erva-doce, de cravo e de canela.
Eta, cheirinho gostoso, de pamonha e de canjica!
Ah, veio a lembrança do Seu Bita,
a puxar sua quadrilha de São João,
Anarriê, Viva São Pedro! Que beleza!
Dona Zilda Roriz pega um terço rotineiro.
Dona Wilma Anacleto reza uma prece primeiro.
Dona Risolita doa um garrote ao padroeiro.
Dona Alba Albanita tece com zelo
o manto para a procissão de São Pedro.
Dona Palmira Teixeira e seu Adalberto
alegram-se com a festança.
Enquanto Dona Penha abraça Seu Olival,
todos com nova esperança,
É tempo de invernada, é tempo de alegria!
Sem esquecer de Dona Onélia que encantava com sua cantiga
pra ninar o sonho de Janilza, além de rezar sua reza forte
para achar e desencantar objetos perdidos.
Dona Julieta, Vó de Edileusa,
estrelava na banha do tacho tantos ovos caipiras,
Enquanto Dona Lídia de Seu Louro
preparava Simone para coroar a Nossa Senhora da Conceição,
Dona Maria de Cícero cego sanfoneiro tirava a poeira da sanfona
Dona Maria de Seu Odilon preparava a novena
para receber a Santa Desatadora de nós.
Ave-Maria, Cheia de Graça! Rogai por nós!
E a vida passa. E as pessoas passam na vida da gente.
A enchente do rio passa. E a gente atravessa,
porque a vida é uma travessia.
E temos muito pouco tempo pra sonhar.
Mas Cícero cego sanfoneiro,
nem clareou o dia, tocou um forró maneiro
e anunciou que a vida é passageira,
mas vale a pena ser vivida.
Senão a gente dança…
Mais uma jornada,
Mais uma fornalha, mais uma farinhada
Mais um dia de lembranças,
mais um dia pra viver a vida que a gente quer
mais um dia pra cuidar…da vida.
Saudade,
Eu tenho um açude no meu peito
Que é quem rega esse eito de carinho
Pra de noitinha você nele se banhar…
açude do Calango.
Tenho um rio no meu peito,
Que é quem rega esse eito de carinho
Pra de noitinha você nele se banhar…
rio Joca.
Tenho um coração partido, sem partido,
Que é quem rega esse meu peito de saudade
Que não me separa nunca das pessoas
que lá deixei naquele lindo torrão,



minha Várzea, meu Amor!

O DIA DA CAÇA, por João Maria Ludugero.


O DIA DA CAÇA, 
por João Maria Ludugero

O preá comeu o capim.
O preá o fojo prendeu.
No fojo a cobra caiu.
A cobra comeu o preá do fojo.
No fojo o homem meteu a mão
Em buscar do preá...
Mas em seu lugar estava a cobra
Com o preá no bucho.
De um bote só, a cobra mordeu o homem.
O homem morreu de cascavel em pulso, 
Vítima de sua própria armadilha. Escafedeu-se!
E onde foi enterrado nem capim nasceu!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

SAUDADES DA MINHA ESTRELA DALVA, por João Maria Ludugero

SAUDADES DA MINHA ESTRELA DALVA,
por João Maria Ludugero

E, vendo-a, ninguém sabia

Se ela, à noite, tão radiante,
Catava as estrelas 
Só pra nos iluminar pelo interior,
Ou se era ela ao tangente lusco-fusco
De sentinela que emprestava
Alvorecida sua estrela ao céu.

AO DEUS DOS PAVÕES, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AO DEUS DOS PAVÕES, por João Maria Ludugero

Que maravilha
é poder estar cercado
por todos os lados 
de tamanha beleza 
Que Deus nos dá 
à vista, de presente
dia-após-dia, 
desde o alvorecer. 
Pena que muitos continuem 
a dormir na vida, 
e não percebam 
assim o esplendor
que se realiza 
fora da ilha,
além do teto 
a céu aberto,
a se levantar com o sol 
só pra enfeitar a trilha 
que se meneia 
em acordes! 
Há muita coisa bonita 
a enfatizar a obra-prima 
arquitetada pela Suprema Realeza.
Depois de tantos sóis e luas, na lida,
ainda assim 
não se pavoneia 
o Criador
diante do engenho 
das graças 

de Sua Alteza!