sábado, 15 de outubro de 2011

Mens sana in corpore sano.

Esses dias eu encontrei um velho conhecido dos tempos de adolescente saindo de uma academia.

Daí veio uma conversa que tentarei descrever sem todos os detalhes, mas com o máximo de precisão possível.

Ele. . .

E aí cara, tudo bem?

Eu. . .

Tudo bem e você?

Ele. . .

Como está vendo, estou massa.

Eu. . .

O que tem feito da vida?

Ele. . .

Malhado pra cacete, tomado uns suplementos nutricionais para ajudar a me dar energia e trabalhando.

Eu. . .

E a família como vai?

Ele. . .

Que família cara! Com tanta mulher dando sopa você acha que vou me prender a alguma?

Eu. . .

E uma família não faz falta?

Ele. . .

Tenho meus irmãos, sobrinhos, primos, amigos pra cacete e toda noite uma gatinha diferente, para isso basta eu dar uma ligadinha.

Eu. . .

E quando você estiver velho?

Ele. . .

Aí cara, o babado é outro. Encontro uma coroa querendo um cara malhado e amarro meu burro nela para ser cuidado pela otária.

Eu. . .

Você sabia que acabou de chegar ao mercado um novo suplemento alimentar chamado "SPCF"?

Ele. . .

O que significa isso cara?

Eu. . .

"Suplemento para cérebro funcionar".


Ele. . .

Está de gozação cara! Você precisa se ligar que a vida é passageira.

Eu. . .

É verdade, mas minhas idéias permanecerão vivas no meu filho, netos, família e amigos.

Ele. . .

Cara. . .Você está por fora! Vou me mandar, pois essa conversa cansou minha beleza mais que a malhação.

Eu. . .

A minha também.

Ele. . .

Tchau!

Eu. . .

Adeus!

Francisco Diniz.

http://viajantenaspalavras.blogspot.com/

PRA' TODO DIA: CORAÇÃO A PASSARINHO - Por João Ludugero


 O ovo do pintassilgo
Fecunda o tempo...
O pássaro das horas
Mergulha fundo
No açude da memória.
Ensaia um voo rasante 
Da velha infância à maturidade,
Só para trocar as penas.
Depois, abre os olhos
Para fugir do alçapão
E do abate das pedras de atiradeira.
Mas se um estilingue o acerta em cheio
No alvo, ele sangra que sangra baleado.
E cuida de sobreviver, conserta-se.
Por si só,  trata logo de se  recompor,
Apesar da asa quebrada.
De sorte, ainda lhe resta uma para decolar... 
Ainda bem que traz em si um coração-moela
Que, amiúde, o ajuda a triturar as perdas.
E,  outra vez alado, reaviva-se ao concerto:
Junta aqui e acolá os pedacinhos
E acerta o (en)canto, refeito dentro do alto.
Permanece então maravilhado, 
No aguardo do eterno instante
Em que irá se deitar, de certo,
Assim como adormece o dia
No crepúsculo que bebe o açude.