sexta-feira, 21 de setembro de 2012

HOSPÍCIO, por João Maria Ludugero



Nem precisou 
De camisa-de-força,
Fui levado a nenhum hospício
Acho-me louco e viciado
Louco de amor pela vida
Desses de ir à lua 
Num piscar de olhos,
Enfrentar meus dragões
Doido de atirar pedras 
No espelho d'água do açude 
Só pra ver os espirais a circular 
Sou doidinho e viciado 
Nas pessoas que amo.
Graças a Deus,
Não sou normal
Nem careço de bulas
Nem placebos
Nem remédio
Agora é tarde pra ceder, 
Não tem remendo pro vestido
Só me resta aguardar e seguir,
Arremessar meus tédios, de cabeça,
Esperar que o mundo gire, revire,
Que tudo mude ou desabe 
Ou que eu exploda antes do fim do mundo 
Não quero ser poupado antes que tudo acabe 
Tudo indo na leva da enxurrada
Ou nas lavas do vulcão...
Ora sei que sou levado a ser eu.