terça-feira, 12 de novembro de 2013

O COLIBRI E A FLOR-SERPENTE, Por João Maria Ludugero

O COLIBRI E A FLOR-SERPENTE,
Por João Maria Ludugero.

Azula que azuleja a flor de lis...
Linhas soltas pelas cancelas abertas
Da cantiga do bem-te-vizinho
Que não se ouve em nenhuma rádio
E fora dos arredores da Várzea
Não quer chegar
Ao fim

Verde lume que vaga, perfuma e diz
Na seda da tez do colibri astuto
Em semblante de poesia
Dentro da tarde amena
Que me nina; que o
Corpo dos versos
Se refaz incontido
No avesso desse
Bico; serpente
Mais de uma vez

E assim, genuinamente persiste
Pela cor indefectível
Da pétala da flor reverdecida,
Mas que insiste a adejar
Em letras de paixão
Onde se esboroa
E chega a cair a coroa da alma

Até mesmo no chão
Há emoção compartilhada
Pelo rastejo de palavras
E no espairecimento
Da ilusão com afinco

Não dá para resistir
E os versos ficam por aqui;
Nu recôncavo aberto
Das mãos tenazes,
Rumo ao coração
Por todas as vidas

Vai agrisalhando os sonhos
Na cor fendida ao estágio
De uma dor amor/tecida
Ludibriando o acaso
Em acordes sonhados,
Como se pecado fosse o cio
O Amor sem estio não se esvai,
Que não mais quer se apagar nas linhas
Desenhadas de uma flor
Nascida ao cunho do giz
Mas se emoldura,
Continua a azular
Toda a flor de lis.
Mas, ao juízo da verde cobra,
Ressalte-se o bote ao vão da meretriz.
E, agora, como deixar o coração partido?