sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LUDUGERÁVEL: OÁSIS-MEADO EM LETRAS DE POESIA, por João Maria Ludugero

LUDUGERÁVEL: OÁSIS-MEADO EM LETRAS DE POESIA,
por João Maria Ludugero

Na lavra de letras,
Pelas bermas da lida,
Eu exorcizo meus afoitos bichos,
Desencosto a correr dentro e alto,
Dia-após-dia, desembaraço
Entretido em trilhas, leiras e traços...
Mas o melhor de mim
não está apenas nas palavras
que ávidas derramo pela vida
nem nos esboços das minhas cantigas.
O maior de mim,
Diga-se, de passagem,
não está no sorriso dado
nem no meu pranto marejado
nem no brilho do meu olhar astuto.
O melhor de mim,
É amortecer as dores, aos solavancos,
É achar a saída do labirinto que me dá cela,
Não só de manjar à beira da estrada,
estou (re) aprendendo agora,
é essa imensa capacidade
de ser um e ser mais, sem morrer à míngua,
de esfiapar nuvens e sentir o chão-de-dentro,
de contar estrelas e fazer o pão com afinco,
sem ter receio das verrugas que aparecerão.
O melhor de mim, é essa liberdade
Que me ensina a também gostar da solidão
Que me avaranda em idas e vindas, a ganhar o mundo,
Além das quatro bocas da estação que me faz 'oasis-meado'
A tecer a poesia que se abre em mim num clarão
é ter a destemida ousadia de assanhar até os pelos da venta,
de buscar no meu peito nunca esbaforido,
mesmo dolorido, a tal sensata alegria
de me reencontrar espairecido na pista,
comigo mesmo, no pouso de embarque
e gostar do que vejo, esperando aviões.
O melhor de mim, sem sombra de talvez,
De presente passado a limpo, é ter a certeza
De que continuo menino levado da breca, maduro,
A bolar o futuro do destemido João Ludugero...