quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CORUJICE, por João Maria Ludugero

Minha cara coruja
que cedo fascina
ao ensinar a mais pura verdade:
Sábio é aquele 
que enxerga a beleza nua e crua,

que enfrenta a lida,
que se aceita linda criatura

tudo a seu turno,
sem carecer de encarar a cara do sol,
posto que a noite fica bem na sua
a contemplar as estrelas.
Quem nunca bancou de corujice

cara a cara com a lua,
destemido a agasalhar  

sob as asas suas crias,
dando aconchego e amparo
de mãe ou pai corujas?
E ai de quem pensasse o contrário,
haja vista que a beleza que se aflora
é mesmo bastante relativa,
é algo assim de nascença
de dentro pra fora,
e vice-versa,
a completar a alma
que em nós habita.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

BRASÍLIA EM FLOR DE QUARESMEIRA, por João Ludugero


Quanta beleza
que há
nessas coisas
singelas 
que estão por aí, 
à torta e à direita 
nesta Brasília menina,
além do concreto armado.
Quanta poesia 
se desabrocha em cores
num simples olhar 
esplêndido
quando a quaresmeira 
dá seu grito lilás 
na manhã azul 
da paisagem
como que 
a nos incitar 
a olhar e ver
que viver tem 
lá seus propósitos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Entrelinhas by @RosamariaRoma




Novas linhas
Novos traçados
Um novo caminho

Deixo ao vento as palavras
Que insisto em não esquecer
Deixo ancorados sonhos perdidos
E as lágrimas que não regressarão

Não sei falar
Não sei escrever
Sei sentir
E sinto muito

O essencial da vida esta nas entrelinhas
E por muitas vezes
O incompreendido se torna a realidade
E se torna necessário recorrer ao coração
Para que a leitura se torne compreensível

Talvez eu seja egoísta
Por querer que entendam minhas entrelinhas

Mas
Seja como for

É nelas que me perco
É nelas que me encontro

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

NUNCA FUI SANTO, GRAÇAS A DEUS!, por João Maria Ludugero

Eu sei, à toda evidência, 
que nunca fui santo
tampouco almejo ser anjo,
se para tanto tiver que comer 
o pão que o diabo amassa,
não sei se quero ir pro céu,
apesar de gostar tanto de azul.
Mas o que mais me apraz
é arder, é queimar, de certo, 
é crescer rutilante ao sol...
Quero mais é continuar a dançar,
roubar a cena, esconjurar o tédio,
puxar as barbas de Deus, com graça.
Aprecio pois essa ideia brilhante 
de incendiar a alma, a contento, 
fosforescer sem pavio, fazer a festa, 
plena e escancaradamente,
de gozar essas coisas raras 
que flamejam intensas, arteiras, 
traquinas, dentro e fora do purgatório. 
Mais dentro.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PRAZERES: "AVUA, BRABULETA, AVUA!", por João Maria Ludugero

Até parece que foi noutro dia
que pegamos carona
nas crinas do vento,
aprendemos a lidar, a contento,
com dor, espinho e flor.
Eu? Namorei muitas Marias
das dores, da paz, do amparo.
Mas gostar, gostar de verdade 
Gosto mesmo é da Maria dos Prazeres,
que desde a primeira vez,
já buliu com meu interior.
Cheguei a flertar tantas outras 
brinquei de médico com a dos Remédios, ó
bem que tentei escapulir da Rosinha, 
mas ela me agarranchou de um jeito
pedi socorro, arre égua!
e não é que acabei casando, 
amarrando-me mesmo com toda força,
de papel passado até o presente,
com a tal falada dos prazeres, 
a mais rodada de todas!
Acabei foi por melhor calar 
a boca de muita gente! 
Eu tive a honra de desposá-la,
sem precisar de pedir sua mão.
Ela se achegou inteira, 
emburacou casa adentro
e nunca mais saiu do meu cafundó.
Ela que me deu a graça de ser bom pai,
de alcançar a tal burrinha da felicidade.
Outro dia matutando a vida,
tangendo meus bodes, ao sossego, 
eu fiquei a espiar de longe
que belezura que é o sorriso 
da nossa filha Anita
toda vestida de chita,
borboleta
azul de plástico
pendurada no cabelo
solto ao vento, toda contente,
a tocar as flores do campo.
Ah, pai coruja que sou!
feliz de pelo na venta, de certo
a coçar as barbas de Deus,
satisfeito porque sou,
com todas as letras,
o homem mais rico que existe, sim senhor!
E assim vai ser até que o mundo acabe:
"Avua, brabuleta, avua!"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

FANTASIA: A HORA DO PAPANGU, por João Maria Ludugero

Ele se entregou sem bloqueio.
Caiu na colorida folia da rua.
O carnaval lhe chamou de jeito.
Não teve desculpa, aderiu 
Sem protesto ao batuque
Dos tambores e das fanfarras. 
Foi fundo na vida, 
Nem pintou a cara de tédio,
Não quis água nem talco, 
Não quis a vista embaçada
Quis a alma solta em festa,
O corpo livre de alegoria.
Quis alegria sem máscara
Quis a combustão das coisas vãs,
Quis acreditar na graça, na utopia
Ao se mostrar sem medo, extasiado,
Desnudo ao encontro da praça.
Incorporou o bicho que nele existia,
Recebeu de encosto o papangu
Que nele se alojou, ocupando sua mente.
Pensou: se tudo isso é o que o olho inventa
A gente pode ser o que desejar. 
Uma ressalva: só tem que ver
Se a cabeça realmente aguenta!
Nem titubeou - Ele caiu na farra, exposto à chuva
De confete e serpentina. Foi lá em bloco
E disse a que veio, dispôs-se ao brilho,
Realçou sua fantasia e, de súbito, de banda
Desapareceu no ar feito purpurina,
No meio da multidão eufórica a ferver.
E ninguém mais soube do seu paradeiro,
Só ficou a marca da ilusão no meio-fio:
Uma máscara rasgada jogada ao relento,
E junto com ela, estilhaços de vidro ainda na moldura
A refletir um coração diluído no sumidouro do espelho.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A FELICIDADE ESTÁ NA JORNADA, por João Maria Ludugero


Pensando bem há de se convir 
Que quando corres tão depressa 
Para chegar a algum lugar, 
Perdes metade da satisfação 
De chegar lá. 
Quando se preocupas 
E se apressas em teu dia todo, 
É como se fosse um presente 
Que não foi aberto... uma dádiva, 
Um presente jogado fora!
A vida não é uma corrida... 
Leve-a mais devagar... 
Ouça, dance, curta a música,
Antes que a canção acabe!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

VAMOS AVOAR? por João Maria Ludugero

Vamos avoar?
Voar... voar livre, 
com asas arteiras soltas,
voar alto, voar avante
desdobrado pelo vão
dentro dessa minha gula
nesse mistério infinito 
na minha imaginação.
Aquecendo a utopia,
amor tecendo dores...
Pouco importa agora 
se minhas asas são de anjo
ou seriam de dragão.
Careço de um horizonte
só pra alinhar meu destino, 
pra não poupar coração.
Cansei de ser mais um Ícaro
descolando asas ao sol.
Quero voar sem ceras,
até fora da asa,
sinceramente.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

De_Vagar


Partindo - me em partes desconexas
Desconheço-me.
Já não sou lebre lépida,
Faceira
Quando espero.
Fiz-me séria quando não queria
Tentei ser quieta quando precisava.
Parti-me.
Desconheço a imagem no espelho
Já não encontro minha alegria.
Enquanto procurava
Perdi-me.
Estilhacei em pedaços disformes
A existência.
Por ser rígida demais nas minhas crenças,
Quebrei-me.
Se, por ventura você me encontrar por aí
Devolva-me.