domingo, 18 de março de 2012

TRANÇA COM FLOR VERMELHO FERRARI,por João Maria Ludugero

Impossível não notar, 
a varzeaninha a correr 
por entre pirilampos, grilos... 
Emaranhada 
entre flores de maracujá, 
pés de goiabas encarnadas, juncos, 
mariposas, sapos a coaxar, 
flores de cactos 
e a noite que se refugia 
no breu de suas tranças
e na inquietude 
da Várzea das Acácias,
na magia que beira 
o açude do Calango, 
no desabrochar 
do desfile de acordes para sonhar 
advindos da beleza brejeira 
que sobressai do sorriso 
daquela moça faceira 
vestida de chita 
de flores miúdas, acesa,
a evolar suave perfume de alfazema,
contando com uma espetacular flor 
vermelho Ferrari 
frisada no cabelo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Somos muitos


Mais uma manhã cinzenta
Tristezas espalhadas
Em forma de sorrisos transcritos no papel amarelo

Corações atrasados
Inutilmente a procura de respostas

Somos muitos
No entanto
Somos nada
Apenas uma multidão solitária

Um suspiro
Um passo
Uma pausa

Continuo a escrever...

Mais uma noite
Corpos recolhidos
Rumores de amor
Alguém comentou
Ninguém sentiu

Vamos todos deitar
E acalmar as emoções que ainda restam


terça-feira, 13 de março de 2012

MALEMOLÊNCIA, por João Maria Ludugero

Com destreza,
desnude-se.
Mexa-se,
cante e dance.
Faça seus planos,
preencha seus vazios
empertigue-se,
levantes-se,
com maestria
sorria desperto 
em seus lumes. 
Cresca, habilite-se
a partir de sua poesia.
Deixe seu tamanho horizontar-se, 
margeie o céu, dentro e alto.
E que o céu não seja seu limite.
Depois, não se arrependa,
pois tudo amanhã será 
desmanche, podre e pó. 

sábado, 10 de março de 2012

O ESPLENDOR DAS PEQUENAS COISAS, por João Maria Ludugero

Se precisar,
Recomece...
Mexa-se 
Em renovadas 
Esperanças, 
Reverdeça!
E nunca se esqueça 
De que não importa 
O tamanho 
Que se tenha, 
Por menor 
Que sejamos,
Alguém 
Sempre nos vê: 
Deus!

quinta-feira, 8 de março de 2012

VARZEANINHA, por João Maria Ludugero


Tu passas com ares de gazela
Espio e só vejo um vulto fulgurante,
Labareda de um fogo reluzente
Que me acende com seu lume.
Cintila no ar teu cabelo, tua tez
Morena com aroma de frutas mordidas,
Cristalina como água de mina dos ariscos.
Igual a ti, brejeira, outra terra não fez!
E assim sublime, sonho-te faceira, 
E ao sonhar-te, sinto-me contente no lajedo 
A ganhar um prêmio, um louro, um troféu.
É de bom agouro eu fitar teu rosto,
Ao me deleitar, em êxtase, disposto
Anjo-guardado por arcanjos em todo o céu
Em que se transforma a Várzea de São Pedro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Teus braços... By @RosamariaRoma


Não me solta
Pega minha mão

Feche meus olhos
Beija-me

Devolve a paz
Que só tenho nos teus braços

Estou com frio
Aqueça-me com seu abraço

Preciso da paciência
Da vida
Que teu amor coloca em mim.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CORUJICE, por João Maria Ludugero

Minha cara coruja
que cedo fascina
ao ensinar a mais pura verdade:
Sábio é aquele 
que enxerga a beleza nua e crua,

que enfrenta a lida,
que se aceita linda criatura

tudo a seu turno,
sem carecer de encarar a cara do sol,
posto que a noite fica bem na sua
a contemplar as estrelas.
Quem nunca bancou de corujice

cara a cara com a lua,
destemido a agasalhar  

sob as asas suas crias,
dando aconchego e amparo
de mãe ou pai corujas?
E ai de quem pensasse o contrário,
haja vista que a beleza que se aflora
é mesmo bastante relativa,
é algo assim de nascença
de dentro pra fora,
e vice-versa,
a completar a alma
que em nós habita.