quarta-feira, 25 de julho de 2012

HUMILDADE, por João Maria Ludugero



E a pequena Ana Moita
tinha lá seu rico balaio 
de bonecas de milho 
de cabelos louros e encarnados. 
Ela desde cedo sonhava grande 
humildemente a brincar 
com suas bonecas de milho.
Vestidas de verde palha, 
não precisavam de pentes, 
nem de trocar suas roupas 
nem careciam de escovar os dentes. 
A menina varzeana era tão feliz assim 
entretida com seu jeito de mato 
onde as bonecas eram tão bonitas... 
Não tinham defeito, airosas, cheias de viço, 
eram plantadas na roça do Vapor 
ou até colhidas no quintal da casa 
em um possante milharal. 
As meninas de hoje 
preferem outros brincos, 
outras brincadeiras, outros artifícios.

INTERIOR DA SAUDADE, por João Maria Ludugero


Quando 
vejo o Vapor,
me realizo, 
embarco 
de vez. 
Viajo 
pra longe, 
coração partido, 
só pra ver 
de perto 
o carro encantado... 
Movido de amor, 
sempre 
tenho andado 
dentro 
da saudade.