segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

LUDUGERÁVEL ROJÃO, por João Maria Ludugero

LUDUGERÁVEL ROJÃO,
por João Maria Ludugero.


Eu sou formidável rojão obrigado a uma sensata dose de equilíbrio 
De estar dentro do meu corpo animado, ao avanço do sol amar-elo 
Só para transbordar da minha alma bem apanhado aos solavancos. 
E num estrondo, num célere estouro, 
Quebro, catapulto pedras, sacudo a poeira,
Palpito, tremo ao extremo engenho, 
Esbugalho-me ao vento, disparado sem carecer de munição,
Violo o vapor em explosão, perco-te arteiro em achados ciclos, 
Circundo-te ao desvão, vivo-te, rompo e fujo, com todo o vigor da lida, 
Sou com o meu corpo todo o mundo e a vida inteira, dentro e alto, 
Transbordo do ente com todo o meu ser em todas as luzes e lumes, 
Arrisco com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos acesos,
Sobrevivente em minha vida em todas as direções, dia-após-dia! Zás!
Agora se resvala no ar toda essência do meu mais precioso perfume...

aBUNDância, por João Maria Ludugero

bunda linda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
aBUNDância,
por João Maria Ludugero

A bunda que abunda é uma bunda abundante.
Quem nela seu olhar não fixa,
Fica com a alma carrancuda de rancor
Porque a tristeza e melancolia abundam

E a bunda astuta passa além de risonha
E quando ela circula todo mundo espia
Não para a face embora ideal e formosa
Mas para a bunda, que abunda maravilhosa
Que a bunda se esbanja em tamanha magia
Remexe, requebra, rebola, rola, rodopia
Numa expressão faceira e maravilhosa,
Deve ser uma bunda dourada ou cor de rosa
Da cor do sol quando alvorece o dia...

E a Raimunda que sabe que sua bunda é boa
Vai pela rua rebolando rosa-amorenada à toa 
Deixando a multidão em alvoroço
Com todos a fitar o balaio da Raimunda,
E haja estripulia nesse compasso ao léu...

E eu, que a contemplo em relevo de ânimo
Vou vendo aquilo que corre a ganhar o mundo
E ela medonha levada da breca,
Vai danada e arteira ao aclive do belo 
Expondo com sua arte rotunda além da bunda
Da desnuda compostura que faz valer tudo!

ETC E TAL, por João Maria Ludugero.

 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ETC E TAL, 
por João Maria Ludugero.

Não esmoreci de querer saber 
De cubar a lida do meu desejo 
Que era mais que o puro amor 
De muitos mais velhos a amar,
De todo querer a ir além do meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem os demônios debaixo do abismo
Poderão separar a minha alma da alma
Daquela criatura que eu não soube amar...

Entretido numa tela de contas, amiúde,
E somas austeras por único conflito:
Armar-te lenda, e até aos dentes me envergar
Ou descer então ao labirinto: caminhar à meada do fio,
Despejar teu nome em desafio e ficção do que lhe dito
Aliviar tua alma e derrubar os teus lençóis, faltar-te o ar...

O desejo ao ensejo elementar, a culpa, em eternidade...
Nesta letra-cicuta que te esboroa ao acontecimento além
Do que te permeia, à culpa e à dúvida que despenca a tua dor
Que te envenena aos cultos e absurdos, e te quer o te for
Desde os teus gumes laminados.. despe-os! 
Sou a tua chama, asa e minha astuta luta!

A partir do lugar que eu deixar em meada, e não te comparecer..
De toda linha mencionada em arbítrio, eu de coração partido, 
Dentro e qual labirinto, aqui, por aspirar-te renovo esperanças,
Na lida das minhas levas em lavras e da febre que te serve, também
É apenas uma tragédia, meu amor.. é a lápide que te convém
Ou estripulias niveladas a manter o ar que me desdenha em arte
Qual fosse a tua parte, minha! e que, acima(até) poderia ser...
(Mas ainda não é).