domingo, 9 de dezembro de 2012

A HORA DO ADEUS...QUE SAUDADES DA PROFESSORINHA!, por João Maria Ludugero

Foi outro dia. 
O sol morno apareceu em Várzea. 
O lugar ficou com os olhos marejados 
numa tristeza danada. 
Foi como chuva em pingos da choradeira 
que insistiam em cair, 
enquanto a notícia crua 
corria becos e ruas 
muito além das quatro bocas, 
anunciando a partida 
repentina e inesperada 
da inesquecível professora 
Zilda Roriz de Oliveira. 
Ficou a dor do último adeus, 
estampada em meu rosto, 
revelando o amor sentido, 
a saudade antecipada, 
o orgulho de ter vivido 
tão perto de uma amiga, 
de uma mulher ética e digna, 
de uma exímia educadora. 
Em Várzea a perda sentida. 
No céu a festa esperada. 
A entrada triunfante, 
carregada pelos anjos. 
Novas trilhas definidas, 
novas metas planejadas 
numa lição para lá de abençoada 
para a nova caminhante, 
que ora lida no andar de cima, 
bem mais perto de Deus!

O DIA DA CAÇA, por João Maria Ludugero


O preá comeu o capim.
O preá o fojo prendeu.
No fojo a cobra caiu.
A cobra comeu o preá do fojo.
No fojo o homem meteu a mão
Em buscar do preá...
Mas em seu lugar estava a cobra
Com o preá no bucho.
De um bote só, a cobra mordeu o homem.
O homem morreu de cascavel em pulso, 
Vítima de sua própria armadilha. Escafedeu-se!
E onde foi enterrado nem capim nasceu!