sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO

Agradecemos-te Senhor.

Pela glória de viver.

Pela honra de amar!

Muito obrigada Senhor, pelo

que me deste, pelo que me dás!

Muito obrigada pelo pão, pelo ar, pela paz!

Muito obrigada pela beleza que

meus olhos vêem no altar da natureza!

Olhos que fitam o ar, a terra e o mar.

Que acompanha a ave fagueira que corre

ligeira pelo céu de anil e se detém na terra verde

salpicada de flores em tonalidades mil!

Muito obrigada Senhor, porque eu posso ver o meu amor!

Diante de minha visão, pelos cegos, formulo

uma oração: Eu sei que depois dessa lida, na

outra vida, eles também enxergarão! Obrigada

pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus

Ouvidos que ouvem o tamborilar

da chuva no telheiro, a melodia do vento

nos ramos do salgueiro, as lágrimas que choram

os olhos do mundo inteiro. Diante de minha capacidade

de ouvir pelos surdos, eu te quero pedir, eu sei que depois

desta dor, no teu reino de amor, eles também ouvirão!

Muito obrigada Senhor, pela minha voz!

Mas também pela voz que canta, que ensina

que alfabetiza

Que canta uma canção e teu nome

profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia quero te

rogar, pelos que sofrem de afazia,

pelos que não cantam de noite e

não falam de dia.

Eu sei que depois desta dor, no teu

reino de amor, eles também cantarão


Muito obrigada Senhor, pelas minhas mãos!

Mas também´pelas mãos que oram, que semeiam,

que agasalham. Mãos de amor, mãos de caridade,

de solidariedade. Mãos que apertam mãos. Mãos de

poesia, de cirurgia, de sinfonia, de psicografias...

Mãos que acalentam a velhice,

a dor e o desamor!

Mãos que acolhem ao seio do

corpo, um filho alheio, sem receio.


Pelos meus pés, que me levam a andar

sem reclamar. Muito obrigada Senhor,

porque posso bailar!

Olho para a terra e vejo amputados, marcados,

desesperados, paralisados... Eu posso andar!!!

Oro por eles!

Eu sei que depois dessa expiação, na outra

encarnação, eles também bailarão


Muito obrigada Senhor, pelo meu lar!

É tão maravilhoso ter um lar... Não importa

se este lar é uma mansão, um bangalô, seja

lá o que for!

O importante é que dentro dele exista amor!

O amor de pai, de mãe, de marido

e esposa, de filho, de irmão...

De alguém que lhe estenda a mão,

mesmo que seja o amor de um cão,

pois é tão triste viver na solidão!

Mas se não tiver ninguém para amar,

um teto pra me acolher, uma cama

para me deitar...mesmo assim, não

reclamarei, nem blasfemarei.

Simplesmente direi:

Obrigada Senhor, porque nasci.

Obrigada Senhor, porque creio em ti!

Pelo teu amor, obrigada Senhor!

O VÃO DO MOLEQUE : DE TRAVESSEIROS, TRAVESSURAS E TRAVESSIA, por João Maria Ludugero


Poema qual pluma de ganso
brincando no travesseiro do dia
é pena que voa bem alto,
é vento que sopra vadio
poema menino moleque,

ora bolas! é rima
que salta sobre rolimãs
é lima da terra, 
é limão, é pé de romã
carregadinho pomar de laranjas,
cajás-mangas, mamonas e carambolas
é verso traquina, é pirilampo
que abunda, chispa e ilumina,
é nosso brinquedo estrelado
é mais que um segredo escondido às claras
é rosa à flor da pele a catar o vento,
rimando de tanto brincar no redemoinho
menino levado da breca, sapeca e arteiro,
peralta atravessa o mundo-quebra-cabeça
com sua mania de tanger versos,

que não dorme a planejar travessuras
que vai recriando em fantasias diversas
lançando-se bem alto, em órbita, 
imaginando-se de olhos vendados
achando-se na rota de quebrar o pote
dentro do peito inquieto  
de menino cantigueiro
que pulsante grita: sou poeta!