quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ALVORECER DE renoVARZEAdas LEMBRANÇAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 

 
 

ALVORECER DE renoVARZEAdas LEMBRANÇAS,
por João Maria Ludugero

A aurora varzeana desperta reluzente como quem tem algo bom para me oferecer, e me lança ávidas forças que andei buscando naquela atmosfera cativante, bons ares a correr dentro e alto, repleto de contentamento.

Inspiro-me ao respirar espairecido nas lembranças de outrora, passos de menino medonho, flores e espinhos me apontam marcas que só agora começam a cicatrizar meu coração partido, com o soar dos ventos que anunciam, dia-após-dia, numa nova cantiga da Várzea das Acácias.

Sem coivaras, tracei leiras e leirões, joguei sementes por onde firmei minh’alma. Colhi os doces frutos do Riacho do Mel, dentre cajás, mangas, cajus e pitangas, e eis o tempo em que os frutos doces encheram minhas mãos astutas lá pela seara de propriedade de Pasqualino Gomes Teixeira, primeiro prefeito Municipal da Várzea de madrinha Joaninha Mulato.

Que bom que pude/posso eternizar esses momentos! Senão que graça teria, a penumbra da saudade encoberta pela fosca luz dos dias bem vividos sem excesso, mas repleto de maravilhosas fantasias de menino levado da breca.

Às vezes, é preciso o vão do vagão, sem se esbugalhar no vazio e até na penumbra das horas, para almejarmos as coisas simples, que podem nos tornar radiantes a cada dia, dependendo do olhar que sobre elas se derrama, de sentinela nos dias nunca apagados da memória deste menino João maduro a Ludugerar seus versos arrimados no berço da Várzea do inesquecível Kleberval Florêncio.

Não só de manjar ou arrepiar os pelos da venta, mas é tosco para quem não enxerga além, para quem não sente o querer, para quem não se dá inteiramente a escrever um relicário de histórias de uma vida aonde a gente aos magotes quebrava o pote da fantasia. 
E quando a existência parecia insignificante, olhávamos novamente para o horizonte e descobríamos,às claras, desde o Maracujá ao Umbu, 
que a inércia não fazia/nem faz parte dessa trama, 
que muitas águas já rolaram e ainda irão rolar de saudades a molhar os olhos de um arteiro menino tão conhecedor da seara de Ângelo Bezerra: Nossa Várzea das Acácias 



de 'Silva' Severino Florêncio Sobrinho...

VÁRZEA-RN: MEU RELICÁRIO DO INTERIOR, por João Maria Ludugero



VÁRZEA-RN: MEU RELICÁRIO DO INTERIOR,

por João Maria Ludugero

Fossem meus amores tecidos bordados dos céus,
Fossem minhas dores espairecidas depois de tantos sóis,
Tudo adornado numa chuva de prata depois de tantas luas,
Os azuis e brancos caiados de volta-ao-mundo na lida
Do alvorecer, das onze-horas e das damas-da-noite.

E, assim, tudo eu estenderia sob os teus sensatos varais,
A corrrer dentro e alto sem medo da cuca ao Vapor da Várzea,
Sem qualquer receio de assanhar de vez até os pelos da venta,
Pois não careço de nenhuma senha para ganhar o mundo,
Nem mesmo tenho a intenção de querer ser cabotino.

Mas eu, sendo menino astuto, tenho os meus sonhos acordados.
Eu alongo meus sonhos dourados sob as tuas esperançosas bermas
Rumo ao bendito relicário que me eleva ao interior
que me nina dentro da tarde amena com afinco.

Então, que andes suavemente, pois caminhas sobre meus acordes.

ESSÊNCIA KIROLESCA, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ESSÊNCIA KIROLESCA,
por João Maria Ludugero

Fiel às manhas da manhã antiga,
Trago à minha jovem amiga
Versos próprios do dia-após-dia.

E que de os ver assim tão singelos,
Tão simples como eu, não diria:
Qualquer um os fará mais belos às maçãs, mas
Ninguém tão d'alma, de sentinela, os completaria,
Sob o lapidar de um fortalecido pilão de massas.

Que o colibri de seus anos idos
Beije tarde aos desenganos do coração partido;
Que em torno os bafeje amor astuto,
Amor tecido da vivência espairecida,
Prolongando a doce vida a contento
Do fruto que suceda à iridescente flor.

Recebe esta essência, amiga Kiro,
Que eu, fiel ao uso entretido,
Quis trazer-te sem estripulia
Em poucos versos alvorecidos.
Qualquer um os faria mais belos,
Mas ninguém tão n'alma os adejaria,
Ao lusco-ofuscar da tarde amena que me nina,



Sem bem assanhar até os pelos da venta!