quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DIVINA GULA, por João Maria Ludugero


E as ideias chegam de repente...
Passo a inspirar bons ares,
Lirismo consentido, 
Sopro de vida, agora já, 
Ao amante das palavras.
Em meu sonho acordado
Teço nuvens 
De algodão 
Doce...
Há braços imensos
Que se tornam asas;
Há bichos escrotos
Que me grilam a cuca,
Mas só pra desopilar
Atravesso o céu, guloso,
Dentro e alto em tua boca.
Só cubando teu encanto,
Redescubro meu coração,
Que desperta enlaces profundos 
De um tempo doce só de manjar,
Tempo de inventar travessuras
Só pra me achar lambuzado 
Em teus néctares de sentir Deus.

DEUS NOS ACUDA!,por João Maria Ludugero

Quantos balas ainda faltam para calar nossa língua?

Quantas falas ainda faltam para o próximo silêncio?
E quantos presuntos serão largados nas esquinas,
Até quando beijarão nossos lábios na penumbra
- colados ao chão - vidas abortadas?
Bradará a língua ao meio-fio 
Ensandecida pela rua do/ente 
De torpes motivos a sangue frio?
E o cidadão sucumbe pacato, à queima roupa.
Cadê a polícia, não para nos prender inocentes
Ao abuso de poder?
Importa buscar na cadência das horas
Um jeito de estancar o medo, o pavor que perambula
Em carne viva, sentido em cada vão da cidade nua,
Porque 'tamos de ovários cheios de violência'.
Quem arcará com a culpa pela ceifa de vidas,
Pelo estupro, pela hediondez latente 
Que toma conta da avenida Brasil,
Se as autoridades fazem vista grossa passando ao largo?
Meu coração em vigília aguarda um simples aceno...
Dia-após-dia, eu indago e não me chega a resposta
Em que ralo ou casa-da-mãe-joana 
Estão atolando os nossos tão altos impostos?
Até quando vamos ficar de braços cruzados ao léu?
A morte vive a nos rondar, enquanto a sorte fica no ar
ligada a te ver sendo filmado, sem hora para o "the end".