segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

LUDUGERO, POETA PASSARINHEIRO, LIVRE E SOLTO NA VIDA, por João Maria Ludugero

LUDUGERO,

POETA PASSARINHEIRO,
LIVRE E SOLTO NA VIDA,
por João Maria Ludugero

Eu bem-que-me-vi nas asas curiosas do curió.
Eu bem sabia que me encantava sobre os astutos sabiás.
Sanhaço só vi que não tenho medo das patativas da Várzea,
Nem tenho receio da cuca esbaforida e, diga-se de passagem,
Quero-quero ou tetéu com afinco, bem acima das nuvens esfiapadas,
Feito condor eu bem que assanho até mesmo os pelos da venta,
No intuito de amortecer as dores da lida em presa de alçapão,
Desentristeço ao esvoaçar além dos ninhos dos pintassilgos
A cancelar todas aquelas gaiolas tão enrustidas
Que bem apanham os bonitos galos-de-campina,
Entristecem as andorinhas e os canários-da-terra
Além do verde-musgo dos lajedos, além da Lagoa Comprida,
Além das flores laranjas do mulungu ao lusco-fusco da tarde amena,
Além do arrebol dos Seixos e das urtigas das Formas que, apesar
Dos vastos espinhos, não me magoam as asas iridescentes de colibri
Ao beijar suas flores favoritas, sou passarinho afoito que se completa
Tão contemplativo com as flores da alma esbanjada ao Novo Retiro.
E vejo que o João-de-barro, pássaro menino maduro Ludugero,
tem categoria para bem se apanhar assim livre e solto na vida,
Tão feito terno bem-te-vizinho ao bem soar da cantiga desatada
Além dos verdejantes juazeiros dos anuns do açude do Calango.