domingo, 2 de setembro de 2012

CAPIM, por João Maria Ludugero


Fiz meu roçado 
Lá no Vapor de Zuquinha
Fiz a poda, levantei leirões com afinco
Sob o sol a pino
Desses de esturricar a moleira.
Plantei milho, feijão 
E mandioca pra farinha
Deu capim,  que não foi plantado
Nem tratado, mas nasceu ali.
E cresceu com tanta força,
Apesar da coivara de antes
Que tanto maltrata a terra, 
Apesar da pujança da queimada
Com línguas de fogo, labareda,
Bastou a primeira chuva propícia
A molhar a Várzea do rio Joca,
Para o capim reviver.
Capim é feito a esperança do povo
Mesmo que arda sob as chamas,
Quando parece desaparecer, 
Ela não tarda a renascer, 
Brota das cinzas!