sábado, 8 de outubro de 2011

O Voo do Colibri - Por João Ludugero

Sabe de uma coisa,
sabe que eu ando assim
parecendo aquele pássaro
que brinca de helicóptero...
eu vou pairando no ar,
dando s
entido às palavras sisudas.
Calado, elevo-me, não carrancudo,
sentindo letras em néctares,
saindo da penumbra da moldura
feito disposto colibri de flor em flor,
pensando em beber o arco-íris,
desses que as tintas do sol 

tingem em gotas de chuva,  
compondo-me um pote de alegria avivada
em redonda ressonância.
Acho que ando afoito redemoinho
a se perder sem destino no céu
com o desejo de ser aragem
a me perder por aí, poeira, pó,
bem mais que brisa de passagem,
consentindo-me a ficar de bobeira,
à toa na vida, vaidoso avoante ao léu.
Assim, consigo ganhar o mundo!
Ao longe e ao perto desbravo o horizonte

que treme-treme em minhas asas.
Encontro-me, dentro do alto, firme.

O rosto da terra se renova em lavras.
Liberto-me embevecido em orvalhos.
Um ouvido desperta noutro ouvido,
uma língua se acentua noutra língua
a pulsar desejos em órbita e poesia.
É para o meu bico esse ardor soberano
que me dita inebriantes palavras

que afinal me dão azo ao voo,  
quando eu quero é mais 
perder largamente o juízo!