quarta-feira, 12 de março de 2014

SÉRIE TERNA RECORDAÇÃO - MENINO VARZEANO LEVADO DA BRECA, por João Maria Ludugero

SÉRIE TERNA RECORDAÇÃO 
- MENINO VARZEANO LEVADO DA BRECA, 
por João Maria Ludugero

Eu sei, já faz um tempo,
que meus pés pisavam estradinhas de chão,
quase infinitas....um estirão de estrada!
Eram meus caminhos de Várzea ao Maracujá,
os percorri todos, cansado por vezes,
caminhos abertos, e sempre o sol,
o sol me guiando, meus passos azuis,
sempre azuis, seguindo as estradas nuas,
mas repletas de coisas simples para serem vistas.
e eu percorrendo todas, do rio Joca ao Vapor,
descalço, e o coração, cheio de tanto amor,
ansiava por mais estradas e sonhos.
E assim meus olhos brilhavam, ansiosos,
a alcançar todas as estradas do mundo,
pra mim, só pra mim....e por elas eu indo!
outros lugares, alguns encontros, alguns tudo,
e minha alma se enchendo de esperanças novas:
de estradas, de belezas, de sonhos acordados, de gente.
minha alma se enchendo, e meus pés de moleque percorrendo,
e minha alma se enchendo dos poemas que ainda iria/vou escrever.
quero rever tudo de novo, outra vez, contemplar tudo.
As saudades do que ainda iria ver...a vontade.
Careço trazer isso tudo aqui nas linhas da minha mão,
nos meus pés levados da breca...e nos meus olhos brilhantes.
Eu quero tudo, tudo outra vez, preciso de novos poemas,
e meus pés, de novas bermas,
de novas estradas pra me completar.

VÁRZEA PRA SEMPRE!!! por João Maria Ludugero

VÁRZEA PRA SEMPRE!!!
por João Maria Ludugero

Do alto da minha Várzea
Vislumbro um magnífico esplendor.
Sente-se uma suave cantiga em acácias
Inspiração única para qualquer escritor
A essência pura do rio Joca a reverdecer o vapor!
Aqui, onde a água salobra beija a areia
E a natureza continua virgem
Relembrando as searas de outrora.
No ar… o cheiro das flores
O esvoaçar de um bando de andorinhas
E o sorriso do sol dentre as palmeiras de São Pedro.
Vê-se o dia a terminar…
A tarde amena espreita o horizonte,
Os varzeanos regressam ao lar,
Ouve-se a vizinhança a correr pelo interior,
E o crepúsculo apresenta-se mais uma vez formoso!

VÁRZEA-RN, TERRA ABENÇOADA! por João Maria Ludugero

VÁRZEA-RN, TERRA ABENÇOADA!
por João Maria Ludugero

Ó Ludugero, Ludugero...
Olha o que fazes de ti,
Sempre a exaltar tua seara potiguar,
Sem carecer de ser menino cabotino.
Que raio de coisa é essa?
Podias usar Várzea,
Que é tua terra querida,
E por sinal é tão bonita,
Apesar de toda difícil vertente,
Dos lajedos dos Seixos,
Além das lagoas compridas!
Ou Caldo de mocotó, cabra ou cabrito!
Ou Beiju, ou tapioca de coco.
Chambaril dum bom osso-buco,
Ou batata-doce em água e sal!
Outra alcunha genial:
Jerimum, em maduras talhadas;
Rancho de feijão-verde ou feijoada
Torresmos, quem me dera tê-los!
Ou... isso, Casa de Ângelo Bezerra
Aquela da rua Grande...
Ainda seara dos Caicos,
Também fizesse Vapor.
Ou Manga, ou caju,
Ou cana-curimbatória,
Ou sítio do Itapacurá,
Ou sítio de Zé Canindé.
Ou mais que venha à ideia,
Mas saudades?... Sim!

MEU CHÃO DE DENTRO: VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero

MEU CHÃO DE DENTRO: VÁRZEA-RN,
por João Maria Ludugero

Deste chão de dentro

Desta semente imune à ira da aridez
Eu renasço aquele menino levado da breca
E de mim a Várzea aflora bonita
Ali eu me fiz aqui me refaço avante
E aqui o que quer que eu faça de fato
É com ânimo o esforço de verdade
Para contemplar o sol a brilhar
Onde quer que ele nasça.
Neste chão da minha Várzea
Há tempo para recordar e reviver
Aguardo e observo a cubar a lida,
O ritmo das coisas da vida de lá,
Dessas temperanças de sempre
Que avançam em forças e esforços
Para sobreviver aos remansos advindos,
Mas não se esgotam as saudades
No que tem de me partir o coração!
Que bom seria poder voltar 
A rever minha gente querida
Naquele chão varzeano de sempre
Daquela semente imune à tristeza
Fazer de novo a nossa Várzea nos caber a contento,
Mesmo que para tanto tenha que se assanhar 
Até os pelos da venta!!!

NOSSA VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero

NOSSA VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero

Não só de manjar
Ou correr na lida,
Minha Várzea tão querida
A quem sempre vou amar
Que deixei, mas voltarei
À minha seara potiguar!
Eu vivo longe da terra
Mas não é por opção propícia
É de cortar o astuto coração
Viver nessa longa espera
Mas eu sei, ai quem me dera
Ver minha alma agradecida
Na terra encontrar guarida
Quando um dia lá voltar
E ela poder ainda mais varzeamar!

Bem sei que Um dia
Eu voltarei com certeza
Trago cá em minha mente
Essa certeza tão latente
De ver tudo o que deixei
E as pessoas que amo e amei
Que deixei a me esperar
Na certa vou encontrá-las
No meu lugar tão querido
Que nunca foi esquecido
A quem sempre vou amar!
Quando lá chegar um dia
Essa angústia vai ter fim
O sol nascerá pra mim
Terá fim essa agonia
Que já me faz companhia
Nas terras por onde andei
Desde que de lá cheguei
Por isso quero matar de vez
A saudade do meu lugar
Que deixei, mas voltarei,
A rever os meus jasmins.

Essa minha Várzea do agreste
Que há muito tempo não vejo
Desperta em mim o ensejo
De lhe mandar um presente
No meu verso mais ardente
No meu jeito de poeta
No meu singelo cantar
Em motes tão singelos
Mas eu dedico esses versos
Ao meu solo potiguar:

Minha Várzea das Acácias!

FESTA DO INTERIOR, por João Maria Ludugero

 
FESTA DO INTERIOR, 
por João Maria Ludugero

Além do manjar
dos olhos
em
disparate,
se estende
além do
horizonte
em tons
alaranjados
Ou em reverdecidas
flores agrestes,
a cubar a lida
por ares
de gula,
na firula
do beijo da alma
em quilates...
O doce
nos olhos
do
lampejo,
brilha astuto
e fervilha
na tua boca
maluca,
doidinha
em
confetes
de pierrô,
figurinha atrevida
ainda no ex-carnaval;
quando
o rojão
derrete
nos teus
lábios,
igual
canjica
ou
curau
na festa
do interior!