sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O VALOR DAS PEQUENAS COISAS (OU VALHO MAIS QUE TODAS AS PÉROLAS DO MUNDO), por João Maria Ludugero


Eu gosto de viajar no tempo, 
recordar das coisas boas da vida 
e dos momentos vividos ali 
na minha Várzea das Acácias. 
Comecei minha vida escolar 
no Educandário Pe. João Maria 
– eu tinha pouco mais de sete anos. 
Minha mãe fez uma bermuda azul-marinho 
e uma camisa de volta-ao-mundo branca, 
nos pés meias brancas e o famoso Conga. 
Todos os dias era tempo de sonhar 
cheio dos afazeres escolares.
Que saudades da professorinha Maria Fernandes, 
a dona Marica de Seu Otávio, 
que me ensinou a ler, a escrever e a aprender a tabuada, 
enfim a fazer conta da lida, tirando os nove-foras!
Pintávamos a manhã inteira. 
Quando não escrevíamos ou pintávamos, desenhávamos; 
quando não desenhávamos, cantávamos; 
quando não cantávamos, brincávamos; 
quando não brincávamos, comíamos 
a mais deliciosa das merendas 
preparada por dona Benedita Rosa. 

Aprendi que o que conta 
é nossa postura defronte das situações. 
Talvez esse seja o maior ensinamento 
que a vida me deixou 
- Ora vivo o presente intensamente. 
Busco me contentar com o hoje 
e descobrir as coisas boas 
que estão à minha volta a cada momento. 
Procuro me contentar menos 
com um possível objetivo 
a alcançar e me contentar mais 
com o caminho pra chegar até ele. 
Realmente, minha viagem é 
muito mais interessante que meu destino. 

Como não sou capaz de prever com absoluta certeza 
o que ocorrerá no próximo minuto e as coisas são como são, 
só me resta viver o agora e fazer minha própria História. 
Todas as pérolas que eu valho não seriam suficientes 
para compensar tudo o que minha mãe Maria Dalva, 
muitas vezes sem se dar conta, me ensinou. 
Mas o principal ensinamento de todos 
o mais precioso talvez seja esse, 
que divido contigo agora: 
Eu sempre soube desde cedo, 
porque ela me dizia com imenso orgulho 
- Joãozinho, meu filho, nunca se esqueça disso,
você vale muito mais 
que todas as pérolas do mundo!

A VELHA ALGAROBEIRA, por João Maria Ludugero


E a professora plantou uma árvore
Bem ali no recreio 
Da Dom Joaquim de Almeida. 
Perto do muro, a árvore cresceu, 
Ganhou altura e ficou frondosa. 
Mais tarde, demoliram o muro 
Para expandir as alas da escola. 
Quiseram derrubar a algarobeira em flor, 
Mas a sábia professora 
Zilda Roriz de Oliveira, 
Munida do seu espírito 
Ecologicamente correto, 
Discordou desse ato insensato, de fato 
Abraçou a árvore, ganhou a causa. 
E a árvore ficou pra enfeitar a praça 
Do encontro levantada no centro 
Da minha Várzea das Acácias. 
Ora a antiga algarobeira 
Verdejante se embalança 
A cantar sob a brisa 
Que chega amena, 
Tornando-se cantiga a me ninar 
Ao cair da tarde 
Quando o sol se deita!