segunda-feira, 3 de setembro de 2012

POEMA À MINHA INESQUECÍVEL MÃE MARIA, por João Maria Ludugero


 A nossa mãe Maria Dalva,

com tamanha dedicação,
fazia tapioca, beiju, grudes 
e bolinhos de chuva,  
sem que a gente entendesse 
porque nessas ocasiões, 
geralmente, o sol irradiava 
festivamente amar-elo. 
Nossa mãe Maria fazia 
canjica, curau e pamonha 
com o milho colhido na hora 
nas plantações à margem do rio Joca 
no pacato roçado do Vapor de Zuquinha. 
Nossa mãe Maria 
costurava roupas, cerzia 
nossas vestes esgarçadas 
nas peraltices do dia-a-dia 
em sua máquina antiga, 
estrategicamente posicionada 
próxima à janela da sala-de-estar 
só para ficarmos ao alcance 
da sua vista, de sentinela 
Como que um anjo da guarda 
que, entre um afazer e outro, se ajeita 
e alonga o braço para nos proteger... 
E seu pensamento bastava 
para nos abençoar 
e seguir crescendo. Crescemos? 
Hoje não temos mais 
quem nos assopre os ferimentos, 
mas sua lembrança ajuda 
a curar as dores da alma, 
apesar do coração partido, de saudades, 
toda tarde quando o sol se deita. 
Saudades do teu sorriso, 
saudades da tua benção à noite... 
saudades do aperto do teu abraço.