quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

GUERREIRO DA PAZ, por João Maria Ludugero

 
  
 
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GUERREIRO DA PAZ,
por João Maria Ludugero

O meu sonho foi pintado 
Com as cores da terra,
Não estou em guerra...
A morte não me assusta,
E o prelúdio de sua chegada,
Só me dá mais força para lutar,
Guerrear pela vida a dentro,
Pela minha lida a contento, 
E pelo que acho justo...
A liberdade acima de tudo,
Pois um sabiá sem asas não voa,
E um bem-te-vizinho sem canto não se acha.

A bandeira da minha seara é da cor do céu,
E mesmo manchada de verde-musgo,
Continua hasteada ao sabor do vento.
O astuto espírito me disse com audácia,
Ao esfumaçar o cachimbo da paz,
Que eu enterrasse todas as armas.

Agora a minha flecha é só para caçar,
O tambor só toca em dia de festança,
E na árida mata já não ouso bradar,
Mas nasci guerreiro e sempre o serei,
Caço na terra e vivo em ávida seara,
Descanso as armas, mas sigo em guerra 
Pela paz na vida que me renova as esperanças
A correr dentro e alto pelo interior que me chama!

A IGREJA-MATRIZ DE VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero

  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IGREJA-MATRIZ DE VÁRZEA-RN,
por João Maria Ludugero

Entre vapores, ao longe, surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol dentro da tarde amena.
A igreja caiada do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca ao acorde do sol
Que desponta além das quatro bocas!

E o sino retumba solene as horas:
"Várzea! Pacata Várzea de Mateus Joca Chico"

O astro radiante segue a eterna jornada.
Uma dourada leva lhe cintila em cada
Refulgente facho de luz alvorecida.
A igreja-matriz do meu sonho,
Onde os meus olhos tão saudosos ponho,
Recebe a bênção de São Pedro Apóstolo.

E o sino retumba solene as horas:
"Várzea! Pacata Várzea de Joaninha Mulato!"

Por entre juncos e verdes beldroegas desce
A tarde esquiva: alaranjada prece
Põe-se o lume a rezar aos jasmins.
A igreja-matriz dos meus acordes
Aparece na paz do céu varzeano
Toda prateada ao luar de tapioca.

E o sino retumba solene as horas:
"Várzea! Pacata Várzea de Ângelo Bezerra!"

O céu azul sem trevas: o vento uiva.
Do Vapor à cabeleira ruiva do dia
Vem açoitar o rosto de São Pedro.
A igreja-matriz do meu sonho alto
Eleva-se no topo de sentinela ao santo
Como um astro que nunca cadencia ao desvão.

E o sino retumba solene as horas:
"Várzea! Pacata Várzea de Mãe Claudina
E da minha avó Dalila Maria da Conceição!"