sábado, 19 de fevereiro de 2011

Factício


Dizem que toda decisão implica sacrifício
Mas não sacrifico esse meu vício
Quero fazer dessa arte um ofício
Quero viver, quero o mesmo do início.

Meu bem, desse jeito vou parar num hospício,
Por uma alucinação, por viajar no fictício
Que acredito convicto, é factício,
Mas de loucura todos temos resquício.


Eu vou usar de todos os meus artifícios
Nada que eu faça será desperdício
Não espero nem desejo nenhum benefício
Não espero nem desejo também malefício.

Eu quero pular de cabeça nesse precipício
Te faço um poema, uma musica, um suplício,
Necessito, vivo, tenho esse desejo vitalício,
Vejo tudo que é antes, um exercício.
Cristian Steiner


"Olhar o mundo com a coragem do cego. 
Ler da tua boca as palavras com a atenção do surdo
Falar com os olhos e as mãos como fazem os mudos."
(Diário de Cazuza)

Deixe Secar

Colaboração: Max Psycho


Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas. 

No dia seguinte, Júlia sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar. 

Mariana não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. 

Júlia então, pediu a coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. 

Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial. 

Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. 

Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. 
Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: 
'Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo? 
Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão. 
Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. 
Mas a mãe, com muito carinho ponderou: 
Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? 
Ao chegar em casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. 
Você lembra o que a vovó falou? 
Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. 
Depois ficava mais fácil limpar. 
Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. 
Deixa a raiva secar primeiro. 
Depois fica bem mais fácil resolver tudo. 
Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. 
Logo depois alguém tocou a campainha. 
Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. 
Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando: 
'Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? 
Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. 
Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. 
Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro 
brinquedo igualzinho para você. 
Espero que você não fique com raiva de mim. 
Não foi minha culpa.' 
'Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou.' 
E dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro. 
Nunca tome qualquer atitude com raiva. 

A raiva nos cega e impedem que vejamos as coisas como elas realmente são. 
Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos demais pela sua posição ponderada e correta diante de uma situação difícil. 

Lembre-se sempre: 
Deixe a raiva secar