quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SIRIGUELAS (UM POEMA COM ÁGUA NA BOCA), por João Maria Ludugero


Plantei um pé de siriguela
Lá no quintal da minha modesta casa. 
Já vislumbro ele carregadinho de frutos
Começando a amadurecer, tão bonito,
Atraindo sanhaços pro meu jardim.
Mas que riqueza! 
Vou poder acordar cedo 
Pra adubar a terra, 
Cuidar da lida com avidez  
Só pra ver de perto brotar, reverdecer 
Meu pé de siriguela no maior carrego!
Só de pensar já fico com água na boca.
Quero me fartar, colhendo o dia com gosto 
Cheio de frutas verdes, amarelas
E vermelhas, vou me pendurar afoito
Nos galhos, alimentar minhas brincadeiras.
Já descobri que tenho alma de passarinho
E quero lá fincar uma vida inteira, de certo,
Escutando a vida a se morder com os olhos,
Livre e solto nas estripulias de menino
Encantado nessa cantiga regada 
Pela polpa amarela da siriguela,
Ao me derramar inteiro 
Em suprassumos e néctares
Pelas quatro bocas da minha Várzea!

POESIA: EU SOU DA TUA LAIA!, por João Maria Ludugero


Eu faço poesia com a alma
Eu teço versos consentidos
Mesmo sem rima nenhuma. 
Sou poeta, já nasci assim 
Desde cedo que me reinvento, 
Crio, recrio o poema como quem reza, 
Baixinho eu grito dentro dos nichos 
Só pra dizer aos santos que nunca fui anjo. 
Escrevo palavras ao vento em desafio 
Só pra sentir o horizonte que bebo 
Só pra me achar assim oásis-meado, 
Sem matar a sede do que me excita a fio: 
Fazer poesia a torto e a direito, 
Sem a pretensão de ser cabotino! 
Bem sei que há muita gente nessa raia, 
Mentes conhecidas, 
Ou que querem ser conhecidas 
Como poetas, 
Talvez um bocado 
Seja genuíno 
E outro magote soe falso, 
Rondando o recinto sagrado da poesia, 
Tentando parecer autêntico. 
Nem preciso dizer 
Que sou verdadeiro, 
E que faço parte dessa laia, eira e beira, 
Que ainda acredita com toda força 
No verso solto que me liberta das algemas 
E que me faz viver de recomeçar, 
Reinventar-me a partir da poesia 
Que traço, a que me faz a cabeça pensar sério 
Mesmo que seja de brincadeira, 
Todo santo dia