sábado, 28 de maio de 2011

CANTIGUEIRO

Autor: João Ludugero
No parapeito da ponte,
    No alto do abismo,
Eu me apassarinho,
Esvoaçante me arribo.
Pego a direção dos ventos
Numa pétala roubada
Da rosa dos ventos.
Dou espaço ao tempo
Que não me cerca
Com esperanças novas.
Não lamento a sorte
Nem o ermo roteiro, de certo
Nem a asa baleada me dói.
Eu consigo alar-me a céu aberto.
Eu sigo nas asas de um cantar mavioso
A buscar meu norte.
Ao me achar bonito, não me furto a cores,
Apenas afugento a dor por encanto.
E o canto me revigora por dentro,
Desde a hora em que a aurora
Me abre os olhos
Cedo eu madrugo a sonhar,
Cuido de ganhar o mundo
Sem medo dos choques ou atritos
Quando pouso nos fios dos postes,
Atento nas luzes postiças, de sorte,
Acendo meu canto a me orientar,

Por mais que haja sombras,
Estufo o peito de contente.
E o amor me escuta de longe.
E o amor me abre um clarão,
Apesar do escuro da mata,
O amor não se expira nunca,

O amor me restaura as penas,
Porque o amor me rapta
Para um ninho seguro.
E a flor/esta não me fecha sozinho,
Pois me dispara afetos e avenças
A inserir-me em coro
De outros passarinhos
De bicos afinados
Em airosa cantiga,
Rumo a outros paradeiros.

Sonhos



Colaboração: Sidarta Reis 


Sem sonhos, os monstros que nos assediam, estejam eles alojados em nossa mente ou no terreno social, nos controlarão. 

O objetivo fundamental dos sonhos não é o sucesso, mas nos livrar do fantasma do conformismo.  

Quem não é generoso consigo mesmo jamais o será com os outros. Quem cobra muito de si mesmo é um carrasco dos outros.  

A generosidade é um dos maiores sonhos que devemos difundir no grande “caos social”.  

Generosidade é uma palavra que habita os dicionários, mas raramente o coração psíquico.  

Só dorme bem quem aprende primeiramente a repousar dentro de si.  

É possível fugir dos monstros de fora, mas não dos que temos dentro da mente. 

Os egoístas vivem no calabouço das suas angústias, mas os que atuam na dor dos outros aliviam a própria dor. 

Sou apenas um caminhante que perdeu o medo de se perder. 

Os que vendem sonhos são como o vento: você ouve a sua voz, mas não sabe de onde ele vem e nem para onde vai.  

O importante não é o mapa, mas a caminhada.  
Não existem heróis. Todo gigante encontra obstáculos que o transformam em criança. 

Se quiserem vender o sonho da solidariedade, terão de aprender a enxergar as lágrimas nunca choradas, as angústias nunca verbalizadas, os temores que nunca contraíram os músculos da face.   

Nunca procurei meu filho e lhe perguntei quais eram seus temores ou suas mais marcantes frustrações.

Impus regras para eles, lhe apontei erros, mas jamais vendi sonhos de que sou um ser humano que precisa conhecê-lo e precisa ser amado por ele. 

Nunca procurei um aluno que expressasse um ar de tristeza, irritabilidade ou indiferença. 

Mas a vida me ensinou... 
Somos criativos em excluir, mas inábeis em incluir.  

Começamos a entender que, quando somos frágeis, aí é que nos tornamos fortes.

Não existem pessoas imprestáveis, mas pessoas mal valorizadas, mal utilizadas, mal exploradas.   

O ser humano morre não quando seu coração deixa de pulsar, mas quando de alguma forma deixa de se sentir importante. 

Aprenda que uma pessoa pode ferir seu corpo, mais jamais poderá ferir sua emoção, a não ser que você permita. 

A vida se extingue rapidamente no parêntese do tempo. Vivê-la lenta e deslumbradamente é o grande desafio dos mortais.

(Do livro O vendedor de sonhos - Augusto Cury)