quinta-feira, 30 de outubro de 2014

VÁRZEA-RN: MEU AMADO CHÃO-DE-DENTRO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VÁRZEA-RN: MEU AMADO CHÃO-DE-DENTRO,
por João Maria Ludugero

E asssim se alaranja as flores do mulungu

Dentro e alto da tarde amena que me nina
Nessa aquarela brutaQue cobra à Varzea das Acácias as suas
Esperanças renovadas. 
Crescem as beldroegas na manhã da vargem,
Vertente no escoadouro do paredão do açude do Calango.

O verdejante juazeiro se enrama na galhada que emana

Acolhimento a um bando de anuns, dentre brancos e pretos,
A proteger também os ninhos dos galos-de-campina
E dos bem-te-vizinhos em seus amarelos tons.
Desde a manhã o espaço se abre ao sol e ao vento

que tece nuvens esfiapadas em bichos 
bem apanhados a esbanjar garatujas 
desde o interior que me completaa contemplar 
a possante seara de Ângelo Bezerra...

Deus distribui ao desvão do rio Joca

Os seus redemoinhos pelo Vapor de Zuquinha.
Amortecedores em bons ares,Aromas, cores, amores...

O Supremo Arquiteto do UniversoTambém me faz a almejar além

Da flor do jasmim-manga que fica
Nesse acorde de sonhos destemidos
Desde o animado tô-fraco das galinhas d'Angola,
A correr dentro e alto esvoaçar pelos arredores
Da singela Várzea de madrinha Joaninha Mulato...

preserVARZEAção, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
preserVARZEAção,

por João Maria Ludugero

O cheiro da terra adentra o coração partido 
Do astuto colibri em advindas constipações,
Ao adejar de almas em flor que fica...
Verde-musgo é o limo dos vertentes lajedos das Lagoas Compridas 
A acolher o ninho das patativas, dos curiós, dos galos-de-campina,
Dos encantantes e bonitos bem-te-vizinhos, pintassilgos, sebites 
E do canário-do-chão, com a chegada do Sol no agreste verde.
Refúgio em alcunha de qualquer canteiro do Vapor de Zuquinha,
Enquanto o Itapacurá de tio João Pequeno 
É biolabirinto de inquietas temperanças tantas em casas-de-farinha
A alcançar até os ariscos da Várzea das Acácias de Severino 'Silva Florêncio' Sobrinho.
A dona Santina exagerava em amizades, dentre farofas, beijus, tapiocas, castanhas assadas,
Brotes de araruta, puxa-puxas, mandiocas fritas, babaus de batata-doce e quebra-queixos
Numa singela roda-de-conversa no alpendre de sua casa caiada nos Seixos,
Onde continuava a revolver a preciosa merda do curral
Na profícua adubação das leiras próximas ao jasmim-manga.
O sabiá descrente assanha as penas do sanhaço só
E esvoaça em modos de precaução o anum a catar
carrapatos nos lombos dos garrotes e do gado bravo...
A macaxeira tuberculiza o chão-de-dentro da estação.
Os bons ares da Várzea rejuvenescem a varzeanidade.


O laranja lusco-fusca a tarde amena que me nina.
A flor de mulungu é uma outra narina laranja de abelha-rainha.
A faiscante bunda do pirilampo é a lanterna da poesia.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

VÁRZEA-RN, MEU TERNO AGRESTE VERDE, por João Maria Ludugero

 
 
VÁRZEA-RN, MEU TERNO AGRESTE VERDE,
Autor: João Maria Ludugero

Não sei dizer este azul que esfiapa as nuvens
no céu de São Pedro Apóstolo...
Só sei respirá-lo a correr dentro e alto, intenso,
na terna vibração do lusco-ofuscante crepúsculo.

Assim denso, descompassado desde o interior
dos olhos que se entornam nele a amortecer as dores
afoitas em meu coração partido pelas bermas que levam
à Várzea das Acácias de madrinha Joaninha Mulato.

No sei morrer noutro amar-elo.
Solavanco-me nesta tonalidade,
assim espairecido breve em jasmim-manga ou alaranjado
em flores de mulungu pelos arredores do Vapor de Zuquinha,
ao encontrar-me bem apanhado ao ouvir o destemido tô-fraco
em animada cantiga da guiné ou galinha d'Angola do Itapacurá
de dona Julieta Alves, entretido no sítio carregado de pitombas,
cajus, cajás e mangas, assim escorregadio no terno verde-musgo
dos lajedos dos Seixos ou pelo paredão do açude do Calango,
desintegrando a noite entretida diante do lume da estrela Dalva,
reinventando o dia pelos benditos ariscos de Seu Virgílio Pedro...

E eu, João Ludugero, maduro poeta varzeano,
menino levado da breca, sem receio da cuca,
a assanhar até mesmo os pelos da venta...

Eu bem sei me inspirar sobre este azul pintado
pelo Supremo Arquiteto do Universo,
alvorecido ao sol que dá luz à manhã
na seara da inesquecível Mãe Claudina...