segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ecos de Realengo (Um Grito na Voz da Poesia)


Olhares Foto by Varli J. Dorighello

Autor: João Maria Ludugero

O assassino
Matou meninos e meninas.
Recarregou
Várias vezes
Seus revólveres.
E só parou
Ao disparar contra si,
Suicidando-se.
Onde está o culpado,
Onde estão os inocentes?
Onde estamos nós?
Silêncio!
Ora, por que um minuto
De silêncio
Na mídia sensacionalista.
Pra que vácuo de voz,
Se o silêncio,
Um nada que vocifera
Agora grita mais alto dentro.
Porque amordaçar essa gente,
Se Realengo está com o grito
Preso na garganta, irresignado
Com o estado das coisas
Acontecidas - doze vidas subtraídas
Sem causa nem porquês?
Pelo visto, logo logo tudo isso
Cairá no esquecimento.
Enquanto isso, não longe daqui,
Cria-se outro verdugo no escuro.
Cuidado, pasmem!

Ele pode vir em pele de cordeiro.
Abram bem os olhos, pois
Numa esquinas dessas, de cara,
Sem aviso, ele pode nos pegar de assalto
E pedir que cedamos a outra face.
Ele virá sorrateiro nos flertar
Numa fresta, silenciosamente,
Com seu olhar que lucifera, voraz
Armado até os dentes,
Com sede de sangue
Prestes a nos fuzilar n
o muro,
No paredão da vez, à luz
Da santa ignorância,
Calcado numa extrema fé,
Que cega mente e olhos
Que mais aliena do que orienta
Que mais deforma um ser já doente,
De insana mente,
Que nos crucifica
Em nome de Deus.

Aprendendo


Autora: Fernanda Villas-Boas


Tenho aprendido que a percepção da essência das coisas simples é o caminho para a felicidade. O raio de sol que brinca com as cortinas do quarto, a flor que desabrocha no meu pequeno jardim nas noites quentes de verão, risadas infantis que enchem os ouvidos e as manhãs, lugares descobertos sem querer, afeto de quem se quer bem. Na miudeza desses momentos sinto a grandeza de viver. Bem. Em paz. Feliz.

No recôndito do meu coração que às vezes é furacão e às vezes é mar brando, sinto a plenitude de saber que nada sei de mim, pois quando acho que sei já acho diferente. E gosto disso. Descobrir e redescobrir é algo que não nos deixa estagnar no orgulho das sabedorias definitivas.

Deixo as coisas chegarem naturalmente e elas vão chegando se quiserem. E assim caminho, andarilha que não tem a pretensão de ser estrada...porque muito tem a trilhar.

Contentamento

Autora: Letícia Thompson


Não ponha seus sonhos em lugares altos demais onde suas mãos não poderão alcançá-los.

Mesmo se a vida parece ilimitada, nós possuímos nossos limites e esperar por algo que está muito além pode nos impedir de olhar à nossa volta.

Buscamos longe flores que poderíamos encontrar em nosso jardim, porque o que está distante sempre parece encoberto por uma neblina que elimina toda imperfeição.

Não nos prepararam para aceitar as coisas ou as pessoas como elas chegam, com muita ou pouca bagagem, com força ou sem muita vontade. Então desenhamos na nossa mente e fotografamos no nosso coração algo que só pode existir atrás da linha da realidade. 

E nos pomos a esperar... 

Nos tornamos assim culpados de uma solidão da qual culpamos a vida ou os demais. 

Nos negamos a aceitar, pedindo ainda que aceitem a nós, e continuamos esperando pelo que o amanhã vai nos trazer. Envelhecemos sem sair do lugar, sonhando ainda e além, mas sem provar da vida nesses mínimos detalhes, nem sempre coloridos e perfeitos tais raios de arco-íris, mas reais o bastante para nos fazer sentir vivos.

Não... não ponha seus sonhos além do que os seus braços alcançam. 

Aprenda que ser feliz é buscar o contentamento do prazer de cada instante. 

Aprenda a ser flexível e menos exigente. 

Ria de bom coração quando tiver que rir e não permita que as mágoas te impeçam de viver o minuto seguinte.

Preciosa é a vida e preciosos são os que amamos.

Preciosos ainda são aqueles que nos amam, os que cativamos.

Precioso é o hoje, é o que temos, é o que tocamos.
É essa realidade, nem todo o tempo bonita,
mas ainda assim é a nossa contribuição para a história do mundo.