sábado, 15 de dezembro de 2012

FEITIÇO DE MARIPOSAS, por João Maria Ludugero


Mariposas
esvoaçam sob a luz
à procura de orgia
num ritual de orgasmo e feitiço
com jeito de Maria-vai-com-os-outros.
Mariposas assanhadas,
sacudidas ao brilho
esvoaçam a soltar purpurina,
à cata de matar a sede 
sob o rescender inocente
dos jasmins-manga.
Borboletas azuis cruzam 
à penumbra 
feito meretrizes ensandecidas,
que sentenciadas 
fazem programa de mérito
no jardim do juízo, por fim,
expostas ao trânsito em julgado
sob a sanha de colibris afoitos, 
tão promíscuos,
que adejam sobre rosas,
sugam margaridas e orquídeas, 
quase sempre vivas,
beijam marias-sem-vergonha.
E todo santo dia no éden é assim:
Um canjerê de damas-da-noite
nesse banho de prata sob a lua
que toma conta do meu jardim.

MÃE: TERNA PRESENÇA, por João Maria Ludugero


Minha Mãe, doce e eterna presença,
A Senhora sempre estará comigo, 
acordado ou dormindo sinto teu perfume,
teu amor solene a bater no meu peito...
E sempre entras porque não precisas pedir licença.
No burburinho do dia-a-dia, 
no chamamento da lida,
diante da mesa farta, nas horas de lágrimas
nos momentos felizes, no sorriso aberto,
no café da manhã, na poesia do papel de pão,
na luz da prece, na proteção de cabeça,
a Senhora está do meu lado, anjo guardião da noite.
E o medo não existe e não há solidão.
A Senhora me acalma onde os olhos anseiam
E tua terna presença aquece naturalmente 
como acontece num retorno de mãe... 
E a dor logo desaparece com um beijo teu
e o sono logo vem...
Ó, bendita Senhora, mesmo sabendo
que não mais vais voltar, nunca deixo
que me abandones o coração partido.