terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VÁRZEA-RN: EM FLAMEJANTE SAUDADE, por João Maria Ludugero

 
 
 

 
 
 
 
 

VÁRZEA-RN: EM FLAMEJANTE SAUDADE,
por João Maria Ludugero



Se você deseja
com seu coração de menino medonho
ou se é com seus acordes de sonhos
— sua inspiração —
o que mais almeja em se achar entretido,
se é com sua alma disposta
e sua peleja sem tamanho
que realmente quer chegar
a habitar sua Várzea das Acácias,
não importa as Formas
que ela possa ter,
pois a Várzea de madrinha Joaninha Mulato
é muito mais que para ser sentida pelo chão-de-dentro
do Maracujá aos Umbus,
dos Seixos ao Itapacurá
de Tio João Pequeno,
para ser vivida em chama interior,
sem flamejantes coivaras na roça
desde o Vapor de Zuquinha,
para ser varzeamada
e ser possuída, leira por beira,
em renovadas esperanças
não somente para se ver
na bicada do sanhaço só
ou ouvida em plena cantiga
de pintassilgo, sabiá ou bem-te-vizinho!

AGRESTE CANÇÃO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


AGRESTE CANÇÃO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS,

por João Maria Ludugero

Não só de manjar,
A correr dentro e alto,
Eu chego a ter vidência
Do abstrato a caminho do açude do Calango,
Consigo desenhar os lajedos dos Seixos em verde-musgo
Até alcançar o invisível além do Novo Retiro,
A tomar o rumo dos sítios do Maracujá aos Umbus
E a seara que pende do Vapor de Zuquinha
Me enfeitiça e me eleva até o vão do Riacho do Mel
Que me chama sem coivaras ao interior
(Não tenho medo da cuca esbaforida,
Chego a assanhar até os pelos da venta,
Entretido em sortilégios diversos
Que sempre se mostrarão inteiros
Aos loucos, sérios ou sãos).
No decorrer da tarde amena,
Meu substrato é flamejante no azul,
É leve e transparente nuvem esfiapada
Acima das palmeiras de São Pedro Apóstolo...
Bem sei que me nina tudo aquilo por lá,
Desde o mulungu em flores alaranjadas pelos Ariscos.
E que aquilo que insisto em escrever não se encerra
Nem mesmo o tempo me pode furtar as cores do Itapacurá,
Eu exorcizo todos os bichos encostados pelas Formas
E até cavalgo em galopes pelo chão-de-dentro
Da Várzea das Acácias de Ângelo Bezerra!