quarta-feira, 21 de novembro de 2012

DE QUINA PRA RUA, por João Maria Ludugero


Do ponto de partida, 
Sofia aprende a ser prostituta,
Só pra ganhar a vida. 
Ela não sonha alto ao subir no salto.
Ela dobra a esquina sem escolha.
Ela roda a bolsa, se apruma como pode
Ao meio-fio da venda,   
Fazer a corte lhe custa 
Os olhos da cara.
Desde menina nunca havia sonhado 
Com nada parecido: a vida nua e crua.
Debaixo da ponte ou do viaduto
Presa fácil, cai na lida,
Desvenda a coragem na rua,
Suficiente para entregar a carne
Antes que venha a vida afiada 
E, num toque de caixa, confisque a sua!